Documentário independente resgata série de TV ‘Mundo da Lua’

Documentário independente resgata série de TV ‘Mundo da Lua’


Quem foi criança nos anos 80 e 90 certamente vai se lembrar de Mundo da Lua, uma das séries brasileiras exibida pela TV Cultura. De maneira lúdica e educativa, Lucas Silva e Silva usava toda criatividade para narrar suas aventuras pelo mundo mágico da imaginação.

Para relembrar os bons tempos da infância, um grupo de amigos se reuniu para produzir de forma independente um minidocumentário que resgata a série e seus personagens. Com direção de Vinícius Sobrinho, estudante de Rádio e TV da Universidade São Judas, Diário de Bordo de uma Viagem à Infância reúne entrevistas com Luciano Amaral, intérprete de Lucas Silva e Silva, Antonio Fagundes, pai do menino, Mayana Blum, que fazia o papel de Juliana, irmã de Lucas, e também com o criador da série, Flávio de Souza.

E quem quiser conferir o resultado, anota aí na agenda: Diário de Bordo de uma Viagem à Infância será exibido neste sábado, dia 12 de setembro, às 17h30, na Matilha Cultural, em São Paulo e no dia 20, no Espaço Gambalaia, em Santo André. No próximo mês, dia 15 de outubro, o documentário também chega às telonas do MIS, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo.

lucas-silva-e-silva

Morte e vida de ‘Uma História Severina’

Morte e vida de ‘Uma História Severina’


“Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas
e iguais também porque o sangue,
que usamos tem pouca tinta”.

Morte. Vida. Severina. Difícil seria não pensar em João Cabral de Melo Neto e no retrato de vida de um sertanejo sofrido. Poderia dizer ser esta uma jornada de herói de um retirante que, seguindo os rumos do Capibaribe, cão sem plumas, tem sua vida transformada ao se deparar com a fartura que o mangue dá. Mas, não. Esse herói é solitário, cabisbaixo – e nem sempre tem a justiça a seu favor. A arte imita a vida: histórias severinas são tão reais quanto na ficção.

Rosivaldo é filho de Severina, e casado com outra Severina. Severina é casada com Rosivaldo, nora de Severina, mãe de Walmir e de um filho sem identidade que carrega em seu ventre. Esse mundo sertanejo quase desconhecido em sua essência está ali, no Sítio dos Macacos, em Chã Grande, interior de Pernambuco. Sem idealizações. Sem maquiagens. Uma História Severina (Debora Diniz e Eliane Brum, 2005) traz na fotografia o exemplo de uma dura realidade não só de Severinas, mas de Marias, Josefas, Sebastianas, Antônias e tantas outras mulheres brasileiras.

O sertanejo e a sertaneja sofrem não só pela seca e suas consequências, mas também sofrem por sua condição social. Manchetes de jornais anunciam o passo atrás dado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a legalização do aborto em casos de anencefalia: estava (re)proibido. Um jogo de disk sim, disk não – só que estar sobre a linha tênue entre vida e morte não é brincadeira.

[…] É que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida

Mais uma vez a caminho da maternidade, Severina decide comprar uma roupa para seu bebê que nascerá prematuramente aos 7 meses. A vendedora oferece diversos modelos, mas Severina logo explica: é só uma roupinha assim, porque ele não vai viver. Apesar do coração do filho bater em seu ventre, a ausência total do encéfalo é sinônimo de morte.

O documentário mostra a peregrinação de Severina, que desde o 4º mês de gestação tenta realizar sua vontade de interromper a gravidez. Na manhã de sua operação, o STF voltou a proibir os hospitais de induzirem o nascimento prematuro de fetos sem cérebro. De quem seria a escolha de levar ou não uma gravidez sem chances de futuro até o fim? De Severina é que não era. Ela não tinha direitos legais sobre o seu corpo, sua saúde ou sua vida.

Paciência. É a palavra mais dita a Severina. Tenha paciência com a Justiça. Tenha paciência com a falta de hospital. Tenha paciência com a falta de leito. Tenha paciência com a falta de médico. Tenha paciência com a conduta ética-profissional. Tenha paciência com sua dor, Severina.

severina1.jpg

Severina no hospital. Reprodução/Uma História Severina

As imagens estão ali para comprovar a realidade ao espectador São Tomé – é preciso ver para crer. A dor foi materializada e sua presença pôde ser registrada: um cinema observativo mostra a existência tal como ela é. Tudo é autoexplicativo – até mesmo a trilha sonora, A Semente da Dor e Sofrimento, composta pelo repentista Mocinha de Passira, canta uma história severina.

A pouca atenção dada à técnica acrescenta o tom de veracidade e indica o caminho que se deve dar atenção. Tá sendo uma história, diz Severina. Uma família abriu as portas de casa e dos corações para contar sobre sua luta e deixar transparecer seus sentimentos. Do amor à dor, da vida à morte: os capítulos daquela história são representados nas xilogravuras de J.Borges.

O sofrimento desenhado nos olhares e a simplicidade explícita nas palavras não são ensaiadas: se a pessoa for humana, ela vai sentir alguma coisa, é o que fala Rosivaldo ao assistir à história de sua família. Esses detalhes se sobrepõem a qualquer enquadramento planejado e fotografia encantadora. As imagens dessa história severina não encantam – não há maquiagens rejuvenescedoras, figurinos bem passados ou cabelos arrumados. Tanto a vida quanto a morte podem parecer desengraçadas.

Em 2012, após 7 anos do caso Severina, o STF por fim decidiu que o aborto de feto sem cérebro não mais seria considerado crime. Mulheres pobres, leigas e subordinadas ao homem-Estado. Mesmo diante da descriminalização do aborto em casos de estupro, gravidez de risco e anencefalia, o processo burocrático parece ser uma barreira indestrutível – paciência, Severinas.

Dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram que 67% das mulheres que engravidaram em casos de estupro não conseguiram realizar o aborto legal pelo SUS e recorreram a métodos inseguros. Nem todas entendem que é preciso uma pasta bem grande para guardar todos os papéis, como explica o marido de Severina, e a morte chega na clandestinidade, ou na velhice antes dos trinta.

Festival de Veneza exibe filmes brasileiros por streaming


Para quem ainda não sabe, o Festival de Veneza, conhecido por ser um “pé quente” para o Oscar, começou nesta quarta-feira (2) e tem filmes brasileiros representando o cinema nacional lá na Itália. Os longas-metragens Boi Neon, de Gabriel Mascaro, e Mate-me Por Favor, de Anita Rocha da Silveira; além do curta Tarântula, de Aly Muritiba e Marja Calafange (confira aqui a entrevista) estão na mostra competitiva Horizonte, a segunda mais importante do festival, destinada a novas tendências estéticas do audiovisual.

A novidade deste ano é que parte dos filmes que estão competindo em Veneza serão transmitidos via streaming. Sim! A partir desta quinta-feira (3), 15 longas que estreiam na mostra poderão ser assistidos também em uma sessão digital, que acontece no site Festival Scope. O ingresso para assistir a um filme custa 4 euros (aproximadamente R$ 16,84) e o pacote que dá direito a cinco sessões, 10 euros (algo em torno de R$ 42,10).

Com esse serviço, é possível assistir em primeira mão aos longas brasileiros Boi Neon, que entra em “cartaz” nesta quinta, e Mate-Me Por Favor, a partir da próxima quarta-feira, dia 9. As sessões são limitada a 400 pagantes por filme. Os ingressos para a Web Sala do Festival de Veneza podem ser adquiridos aqui.

Série ‘Juro que Vi’ retrata lendas do folclore brasileiro

Série ‘Juro que Vi’ retrata lendas do folclore brasileiro


A série de curtas-metragens de animação “Juro que Vi” conta as histórias de alguns dos mais ilustres personagens folclóricos, como o Saci, o Curupira, Iara, a Matinta Perera e o Boto Cor-de-Rosa. Com direção de Humberto Avelar e Sergio Glenes, os episódios retratam as lendas de maneira atual, trazendo ao debate temas como como direito dos animais, proteção ambiental e preconceito.

A produção contou com a participação de alunos da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro e tem narração de Regina Casé, Laura Cardoso e José Dumont. Desde 2003, ano de lançamento do primeiro episódio, a série já ganhou diversos prêmios nacionais, inclusive no Anima Mundi e no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, e participou de festivais internacionais, como o Festival Internacional de Cinema Infantil e o Japan Prize.

Alguns dos episódios estão disponíveis em HD no YouTube. Chama toda a família para conferir essa produção encantadora e mágica:

‘Mute’: a websérie brasileira sem falas


Imagine assistir a uma série que trata sobre os mais variados temas sem usar uma palavra sequer. Essa é a proposta de Mute, websérie brasileira da Mãos de Vento Produções, com direção geral de Alexia Garcia e Alexsandro Palermo, que está disponível no YouTube. Utilizando das mais diversas linguagens, os personagens transmitem as intenções e emoções de cada história com a expressão corporal e efeitos sonoros.

Resgatando os primórdios do cinema, na sua era das vanguardas europeias da década de 1920, Mute abdica de palavras faladas ou legendas e abusa dos gestos para se tornar universal. No entanto, realizar esse projeto inovador foi um desafio tanto para os atores, quanto para os diretores e roteiristas convidados para escrever cada novo episódio para formar a websérie. 

Confira abaixo quatro episódios de Mute:

Pin It on Pinterest