Sergipano nascido em Japaratuba, aos 17 anos mudou-se para o Rio de Janeiro e iniciou carreira na Marinha. Além de marinheiro, trabalhava como lavador de bonde e também como borracheiro. Após sofrer um acidente de trabalho, processou a empresa onde trabalhava com a ajuda do advogado Humberto Magalhães Leoni, homem que o contratou para que trabalhasse como empregado doméstico de sua casa. Em dezembro de 1938, aos 29 anos, este sergipano de trajetória sofrida começou a ser assombrado por sua própria mente por alucinações.

Esta é a história de vida do artista negro, pobre e nordestino que passou mais da metade de sua vida em uma colônia psquiátrica. Seu nome: Arthur Bispo do Rosário, cuja obra é reconhecida internacionalmente. O cineasta pernambucano Geraldo Motta é quem assina a direção do longa-metragem O Senhor do Labirinto, que apresenta a realidade paralela construída por Bispo durante os 50 anos em que esteve confinado no centro Juliano Moreira, no Rio de Janeiro.

Baseado no livro Arthur Bispo do Rosário – O Senhor do Labirinto, de Luciana Hidalgo, o longa é protagonizado por Flávio Buraqui, que interpreta o momento em que Bispo é diagnosticado como esquizofrênico-paranoico. O artista, tendo a certeza de que ele mesmo era a encarnação de Jesus Cristo, fez de sua arte o cenário de sua representação, fazendo de um quarto no hospício o seu “castelo” sagrado.

Bispo era querido pelos funcionários da instituição psiquiátrica e conquistou a simpatia de Wanderley (Irandhir Santos), que o garantia agulhas, tesouras e demais ferramentas para que criasse assemblages, mantos e bordados. O Senhor do Labirinto resgata a importância do artista para a cultura nacional, apresentando ao espectador o universo do artista e a maneira que a obsessão religiosa influenciou sua produção artística.

Os trabalhos de Arthur Bispo do Rosário foram expostos ao público pela primeira vez em 1989, no Parque Lage. Nesse mesmo ano, após sua morte, o artista teve sua obra tomada como patrimônio histórico pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro (INEPAC). Suas peças já foram expostas em diversos museus do Brasil e exterior, entre eles o Jeu de Paume, em Paris, e o Victoria and Albert Museum, Londres.

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Jornalista, mestranda em Multimeios, especialista em Estudos Cinematográficos e criadora do Assiste Brasil.
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