A renovação de atores no Brasil é constante e mantém um nível admirável. Neste artigo, vou me ater a uma geração que considero nova, mas que já é bastante conhecida e intrínseca às nossas rotinas e retinas. O ponto de partida vai ser Salvador; da Cidade Baixa da nossa porta do descobrimento. Foi ali, mais de 500 anos após Cabral começar a dirigir diversas farsas, que se juntaram três grandes nomes dessa geração de intérpretes.

Em Cidade Baixa (2005), dirigido por Sérgio Machado, os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que desde de antes dessa época já haviam caminhado juntos em diversas peças e películas cinematográficas, ganharam uma parceira: Alice Braga. Ela fecha a tríade dessa síntese de uma geração talentosíssima de atores brasileiros. Fora da filmagem, um triângulo de amigos. No filme de Sergio Machado, os três vivem um triângulo de amizade, amor e ódio. Tudo isso junto numa área incalculável.

Mas, comecemos pelas damas. Filha de Ana Braga e sobrinha de Sônia Braga, duas atrizes de sua família, Alice sempre esteve presente na cena cultural brasileira. Nascida em São Paulo, em 1983, ela logo cedo iniciou sua carreira, e não demorou muito para deixar de ser a sobrinha da nossa eterna Gabriela — pelo menos em relação ao reconhecimento no meio artístico. Surgiu popularmente para o país em Cidade de Deus e, com seu talento latente e enorme,  transcendeu os limites do território e do cinema brasileiro, chegando a estrelar filmes norte-americanos.

Em Cidade Baixa, Alice é Karinna, jovem mulher capixaba que ganha a vida com danças, festas e sexo. Afim de ir para Salvador para descolar um gringo no carnaval, ela pede carona a Deco (Lázaro) e Naldinho (Wagner), grandes amigos que trabalham com um barco, fazendo fretes. Eles dão carona à moça e aí começa a imprevisível aventura dos três.

Após algumas confusões, eles chegam a Salvador, na Cidade Baixa, onde vai residir esse complicado triângulo amoroso. Karinna é uma moça bela, sensual e que provoca desejo nos dois. Aos poucos, ambos se apaixonam por ela. Mas a garota não consegue compreender os dois separados e, por isso, apaixona-se por ambos. Alice mostra todo seu talento de atuação ao longo do filme, levando uma compreensão inesperada ao espectador — de que aquela situação é fácil de se entender. E a gente acaba se apaixonando pelos três. Abaixo, Alice mostra um pouco da sua grande atuação e um aperitivo da relação que tem com os dois amigos.

(Ah, atenção que os próximos vídeos podem conter spoilers!)

Como já falado acima, Cidade Baixa é um filme que volta a colocar os soteropolitanos Wagner Moura e Lázaro Ramos juntos numa boa trama. Com um entrosamento comparável ao de Bobô e Charles, naquele time do Bahia campeão brasileiro em 1988, os dois atores mais uma vez dão um show de atuação no cinema. Em Cidade Baixa, Deco e Naldinho são amigos de infância e que se amam, e acabam estendendo esse amor também para Karinna. Nessa equação, o ódio entre eles passa a ser uma variável constante. Em uma cena rápida e nem tão indispensável assim para o filme, Lázaro e Wagner, num diálogo banal entre Deco e Naldinho, mostram como são grandiosos na simplicidade.

O longa de Sérgio Machado, vencedor nas categorias de melhor atriz e melhor filme no Festival do Rio de 2005, exalta uma geração de atores tão conhecida hoje, mas que há 10 anos começaram o processo de descobrimento e amadurecimento. O diretor mostra uma Salvador pobre e marginal, que tem muita miséria, violência, drogas e prostituição. Essa é uma síntese não apenas do submundo nordestino, mas também de todo país, principalmente nas grandes cidades.

No entanto, esses aspectos são apenas um encharcado e pesado pano de fundo dos amores puros e de três interpretações magníficas. E para finalizar, nada melhor que a cena final do filme. Não se preocupe. Ela só vai lhe instigar mais ainda a assistir a esse drama brasileiro. Alice, Lázaro e Wagner vão só lhe fazer um convite… totalmente visceral.

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