“Nós moramos num país gigantesco, num país de extrema riqueza, mas com uma falta de sentimento de humanidade tamanha que leva ao sofrimento a grande maioria da sua população”. A frase do rapper Criolo faz parte de um vídeo divulgado na página oficial do Facebook da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e das produtoras Recheio Digital e Eletrônica Viva. Trata-se de uma espécie de “prestação de contas” sobre a terceira edição do Festival dos Direitos Humanos, promovido entre os dias 6 e 13 de dezembro de 2015.

Mais do que relembrar as atividades e shows promovidos no evento, o filme traz entrevistas de vários artistas sobre questões ligadas aos direitos humanos e cidadania. Em tempos de tanta intolerância nas ruas, em que pessoas são agredidas pelo simples fato de pensarem de forma diferente, o vídeo acaba soando como um manifesto pelos valores democráticos de igualdade e respeito ao próximo.

“Eu olho dali de cima e vejo uma diversidade tão grande naquele público: gente mais velha, gente mais nova, gente de todas as cores, de todos os credos… Eu acho muito importante botar essas pessoas diferentes para conviver porque assim a gente acaba exercitando a tolerância”, afirma a cantora Pitty.

O vídeo começa com os artistas definindo o que significa “direitos humanos”. Pitty diz que “é o mínimo que as pessoas precisam para ter dignidade”; Gilberto Gil declara que “é o homem se defendendo do homem”; o estudante Rubi Assumpção afirma que é “a gente saber viver em grupo de uma forma tranquila”; e a cartunista Laerte define que “são os direitos que assistem a qualquer pessoa pelo simples fato de ser humana”.

Um dos momentos mais emocionantes do filme é quando, entre um show e outro durante o encerramento do festival, entra uma gravação no telão: “Amanhã, meu filho não vai ser refugiado, meu filho vai ser brasileiro. Meu filho vai brincar com o filho de vocês. Meu filho vai casar com os filhos de vocês. Eu vou ser seu sogro e você pode ser meu sogro de amanhã”, afirma um refugiado, seguido pela vibração da plateia, que grita e aplaude.

“O que eu penso é a igualdade, o que eu penso é misericória, para que a gente possa ter um amanhã bem melhor. Está faltando o ser humano ouvir, porque ele não ouve, por mais que você grite, por mais que você fale, por mais que você busque esse tipo de socorro, você não tem”, opina a cantora Elza Soares que, no festival, apresentou a música A Carne.

Assista ao curta-metragem na íntegra:

Festival de Direitos Humanos

M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O! ❤Registro ensolarado do 3º Festival de Direitos Humanos #CidadaniaNasRuas. Teve Pitty, teve Criolo com Ney Matogrosso, teve Elza Soares, Ava Rocha e teve até Eduardo Suplicy dividindo o palco com os Racionais MC's. E claro, tivemos um público lindo celebrando os direitos humanos e as maiores conquistas da democracia: a liberdade e o respeito à diversidade. Vamos cuidar dos nossos direitos!Produção da RecheioDigital com Eletrônica Viva!

Publicado por Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo em Sexta, 18 de março de 2016


Por Xandra Stefanel

Publicado originalmente na Rede Brasil Atual (com modificações)