Aplicativo reunirá informações de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

Aplicativo reunirá informações de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

Tags: ,

Um recente estudo divulgado pela Ancine comprovou um dado notório: homens brancos são protagonistas do mercado cinematográfico brasileiro. Eles dirigiram 75,4% dos longas lançados em circuito comercial em 2016, enquanto mulheres brancas 19,7% e homens negros 2,1%. Nenhum filme no ano da pesquisa foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras.

Para fortalecer a participação feminina no audiovisual e dar visibilidade, a pesquisadora Ana Heloiza Vita Pessotto desenvolveu uma plataforma de catalogação de filmes brasileiros dirigidos por mulheres, cis e trans. No aplicativo a cineastA será possível acessar um catálogo com informações completas, com ficha técnica, sinopse, equipe, local de produção, prêmios e fomentos recebidos. Também serão disponibilizados indicadores de região, cor da pele, ano de produção e equipe feminina.

Em fase de finalização, o lançamento está previsto para junho deste ano e o download será gratuito para celulares e tablets.

Cadastro de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

A base de dados está sendo desenvolvida através do resgate de obras clássica e históricas realizadas por mulheres e também por cadastro colaborativo. Até o dia 30 de abril, é possível cadastrar obras audiovisuais brasileiras dirigidas por mulheres através do formulário disponível no site. O cadastramento pode ser feito por qualquer pessoa interessada em colaborar com o projeto, mesmo não sendo necessariamente parte da equipe de produção.

Para inscrição através do formulário, é necessário atender alguns requisitos. Os filmes, live action ou animação, devem ser dirigidos por mulheres brasileiras, cis e trans. São aceitas produções de curta, média e longa-metragem; ficção seriada e programas para TV ou Vídeo On Demand; webséries e videoclipes. Filmes publicitários, games, vídeos institucionais e vídeos de YouTube com formatos distintos ficam de foram da catalogação.

A ideia principal do projeto é que o próprio setor e as mulheres introduzam suas obras, permitindo que sejam encontradas e ganhem visibilidade. No catálogo estarão não apenas filmes lançados em circuito comercial, como também produções universitárias e independentes, que encontram janelas de exibição na internet ou em festivais e mostras de cinema.

A idealizadora

Ana Heloiza Vita Pessotto, idealizadora do projeto, é produtora audiovisual e pesquisadora de doutorado do programa de Mídia e Tecnologia da Unesp. Formada em Rádio e TV pela mesma instituição, segue uma trajetória de produções acadêmicas que promovem a produção audiovisual brasileira e a diversidade cultural.

Sua motivação em desenvolver o aplicativo surgiu quando era estudante de graduação. “Durante o curso, comecei a perceber que haviam muitas mulheres, mas nas aulas falávamos majoritariamente de obras dirigidas por homens”, explica. Através de suas pesquisas, que envolvem a temática de gênero, representatividade e distribuição de produções fora do eixo comercial, ela busca influenciar mudanças no setor.

Com o app a cineastA, a pesquisadora pretende oferecer às mulheres um espaço de exposição permanente de seus filmes e ampliar o reconhecimento. “Ter um espaço só com diretoras brasileiras dá a elas o protagonismo”, destaca Ana Heloiza. As produtoras também se beneficiam com o catálogo de informações, já que o destaque da ficha técnica permitirá a busca por profissionais específicos em uma produção.

O projeto foi financiando pelo edital App pra Cultura, iniciativa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura que tem como objetivo fomentar aplicativos ou jogos eletrônicos em duas categorias: cultura livre e audiovisual. A cineastA foi contemplado pelo Edital, com a maior pontuação e ocupando primeira colocação na categoria audiovisual no país todo. O prazo de desenvolvimento é de 4 meses e iniciou em fevereiro.

Na imagem em destaque, a mineira Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil.

Festival Internacional de Mulheres no Cinema recebe inscrições de longas nacionais

Festival Internacional de Mulheres no Cinema recebe inscrições de longas nacionais


Alinhado com agendas públicas nacionais e internacionais de equidade de gênero no cinema, o Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM) faz sua estreia no circuito de mostras e festivais da cidade de São Paulo. Valorizando e premiando a produção de obras dirigidas exclusivamente por mulheres, o festival abriu na última quinta-feira (5) as inscrições para a mostra competitiva de longas-metragens nacionais.

(mais…)

Rodada de Estudos Audiovisuais promove cursos gratuitos de cinema em Goiânia

Rodada de Estudos Audiovisuais promove cursos gratuitos de cinema em Goiânia


A 1ª REAU – Rodada de Estudos Audiovisuais recebe inscrições para uma série de cursos com realizadores, produtores e pesquisadores do cinema brasileiro, a ser realizada no Centro Cultural UFG, nos meses de abril e maio. Os cursos oferecidos nesta primeira rodada são “Documentário de observação”, com o documentarista mineiro Marcos Pimentel; “Escrever e ler com a câmera: ensaio, poesia, carta e diário no audiovisual”, com a pesquisadora e realizadora Glaura Cardoso Vale; “Produção executiva para cinema”, com a produtora Luana Melgaço; e “Direção Cinematográfica”, com o diretor goiano Érico Rassi. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no site.

(mais…)

Quatro filmes brasileiros integram a mostra New Directors/New Films 2018

Quatro filmes brasileiros integram a mostra New Directors/New Films 2018


Anualmente, a Film Society of Lincoln Center e o Museum of Modern Art promovem em Nova York o festival New Directors/New Films, em que são exibidas realizações de “cineastas emergentes” de todo o mundo. Neste ano, em sua 47ª edição, quatro filmes brasileiros aparecem entre os selecionados. São eles: Azougue Nazaré, de Tiago Melo; As boas maneiras (Good manners), de Marco Dutra e Juliana Rojas; Cocote, de Nelson Carlo de los Santos Arias; e Djon África, de João Miller Guerra e Filipa Reis.

Apesar de se diferenciarem em seus aspectos temáticos, há algo que une as quatro produções: todas são protagonizadas por personagens negros ou negras. Azougue Nazaré já faz carreira em festivais internacionais e, no início do ano, foi eleito o melhor filme da mostra Bright Future no Festival Internacional de Cinema de Roterdã (Holanda). O longa é ambientado no universo canavieiro, na Zona da Mata pernambucana, e se baseia em temáticas populares pouco retratadas na ficção brasileira. Marco Dutra e Juliana Rojas apresentam em As boas maneiras, coprodução Brasil/França premiada no Festival do Rio, em que constroem uma fábula de horror baseada na figura mitológica do lobisomem.

Cocote é uma coprodução latina da Republica Dominicana/Brasil/Argentina. No filme, exibido na 41ª Mostra de São Paulo, um jardineiro evangélico retorna à sua cidade natal para o funeral de seu pai e é obrigado a participar de celebrações religiosas contrárias às suas crenças. Os países lusófonos Portugal, Brasil e Cabo Verde constroem uma ficção a partir de um passado imperialista em Djon África. A primeira ficção da dupla portuguesa João Miller Guerra e Filipa Reis foi destacada na lista de novos diretores do ano do New York Times.

Destaques no New York Times

Em 2017, o Brasil recebeu uma menção especial do New York Times na lista “Os 9 novos diretores que você precisa assistir“. Arábia, de João Dumans e Affonso Uchoa, foi destacado como um filme que “começa silenciosamente, mas se desenvolve com uma tremenda força emocional”. Arábia está na lista de estreias brasileiras de 2018 para assistir no cinema.

O New Directors/New Films acontece até o dia 8 de abril e a lista completa dos longas selecionados está disponível no site do festival.

Imagem de destaque do filme Azougue Nazaré, de Tiago Melo.

Mostra Ser leva filmes e debates LGBTTQI ao Sesc Ipiranga em abril

Mostra Ser leva filmes e debates LGBTTQI ao Sesc Ipiranga em abril


Em busca da reflexão sobre o amor e o respeito ao que se é, a Mostra Ser faz temporada no Sesc Ipiranga, em São Paulo (SP), durante o mês de abril. A programação traz filmes de curta e longa duração cujo eixo central é o afeto, diversidade de gênero e questões LGBTTQI. A mostra ainda promove um pocket show gratuito de Linn da Quebrada, bate-papos sobre diversidade e gênero e traz o curso LGBTs no Cinema Brasileiro – Panorama Histórico Séculos XX e XXI, com o cineasta e jornalista Lufe Steffen (São Paulo em Hi-Fi).

(mais…)

Aplaudido em Berlim, documentário sobre impeachment de Dilma está no É Tudo Verdade 2018

Aplaudido em Berlim, documentário sobre impeachment de Dilma está no É Tudo Verdade 2018


Após ser ovacionado no Festival de Berlim, em fevereiro, e ser escolhido pelo público o terceiro melhor documentário da mostra Panorama, O Processo estreia no Brasil. Com direção de Maria Augusta Ramos, o longa sobre o processo que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff foi selecionado para o É Tudo Verdade, principal festival de documentários na América do Sul. As exibições acontecem nos dias 15 de abril, em São Paulo, e 17 de abril, no Rio de Janeiro, na mostra paralela Projeções Especiais.

“Tivemos uma estreia muito bacana no Festival de Berlim. Estou muito feliz de estrear O Processo no Brasil durante o Festival É Tudo Verdade, que tem um papel fundamental no documentário brasileiro. Espero sinceramente que o filme possa nos ajudar a refletir sobre o momento atual do país”, afirma a diretora Maria Augusta Ramos.

Para realizar O Processo, Maria Augusta passou vários meses em Brasília, sua cidade natal, acompanhando cada passo do processo de impeachment, somando 450 horas de material filmado. Sem fazer entrevistas ou intervir nos acontecimentos, ela e sua equipe circularam por corredores do Congresso Nacional, filmaram coletivas de imprensa, registraram as votações na Câmara dos Deputados e no Senado e testemunharam bastidores nunca mostrados em noticiários.

Sobre Maria Augusta Ramos

Diretora dos longas premiados Futuro Junho (2015), Seca (2015), Juízo (2013), Morro dos Prazeres (2013), Justiça (2004) e Desi (2000), Maria Augusta busca compreender e refletir sobre o atual momento histórico brasileiro em seu novo trabalho. A diretora dá continuidade às abordagens desenvolvidas a partir do sistema judiciário do país na trilogia formada por “Justiça”, “Juízo” e “Morro dos Prazeres”.

Em 2014, recebeu o Prêmio Marek Nowicki outorgado pela Helsinki Foundation of Human Rights pela sua obra. Formou-se em música na Universidade de Brasília e cinema na Netherlands Film and Television Academy, em Amsterdã. Seus documentários foram exibidos nos mais importantes festivais de cinema e documentário do mundo, incluindo retrospectivas.

Seu novo longa-metragem é produzido por NoFoco Filmes, coproduzido por Canal Brasil e tem distribuição de Bretz Filmes.

Pin It on Pinterest