Resistência, inovação e diversidade: como surgiu o cinema brasileiro

Resistência, inovação e diversidade: como surgiu o cinema brasileiro


“O cinema brasileiro só tem sexo, violência, pobreza e drogas”. Quantas vezes você já ouviu esse discurso?

Pois é, muita gente fala isso. Mas o preconceito é motivado pela falta de informação: o que pouca gente sabe é como a produção cinematográfica foi, desde suas origens, inovadora, contestadora e diversa.

Desde a chegada do cinema no Brasil, na virada para o século XX, encontramos o que ainda hoje é, infelizmente, muito comum: a valorização de produções internacionais, de grandes estúdios, em detrimento da produção local. Mas, essa história não acabou por aí. A resistência já existia muito antes da internet com os “cavadores”, pequenos cinegrafistas cariocas que já faziam cinema nacional na década de 1910.

Conheça mais sobre o princípio da história do cinema brasileiro no primeiro episódio da série Cinema Brasilis, realizada pelo Cinemascope:

Texto de autoria de Marcelo Lima 

Manifestos pela Cinemateca repudiam exonerações

Manifestos pela Cinemateca repudiam exonerações


Na última terça-feira (26), foi publicada no Diário Oficial da União a exoneração da cúpula da Cinemateca Brasileira. A coordenadora-geral Olga Futemma e a equipe técnica foram demitidos sem comunicação prévia por decisão do Ministério da Cultura, sob o comando do ministro interino Marcelo Calero. No dia seguinte, Oswaldo Massaini Filho foi nomeado novo diretor da Cinemateca em São Paulo.

Após tentativas do governo interino de extinguir o Ministério da Cultura e recuar em sua decisão após a resposta popular, profissionais do audiovisual se manifestam contra as demissões na Cinemateca. Associações de cineastas, documentaristas, da indústria do audiovisual e de técnicos cinematográficos assinam uma nota destacando que se trata de “uma ação de caráter eminentemente político que atinge a Cinemateca com uma violência injustificável”.

Reiterando o protesto, também foi emitida uma carta direcionada a Marcelo Calero em que dizem: “Não ficaremos em silêncio diante do risco de comprometimento da instituição que preserva a memória das imagens que a nossa sociedade criou nos últimos 100 anos. Solicitamos ainda que este Ministério convoque em caráter de urgência o Conselho Superior de Cinema, órgão qualificado, legítimo e com representação paritária da Sociedade Civil e do Governo, para deliberar sobre questões atinentes à atividade”. (Leia na íntegra)

Um segundo manifesto foi divulgado ontem e já conta com mais de 1,9 mil assinaturas. O texto faz uma leitura histórica e evolutiva da Cinemateca Brasileira. “A maneira abrupta e arbitrária com que as demissões foram conduzidas no Ministério da Cultura (81 no total), atingindo órgãos e grupos de trabalho, revela um açodamento político não condizente com as práticas da administração pública democrática, de graves consequências culturais. Trará risco a acervos, programas, editais, projetos, atendimentos públicos diversificados”, destaca. (Leia na íntegra o Manifesto pela Cinemateca Brasileira)

Cinemateca Brasileira 

A Cinema Brasileira possui o maior acervo audiovisual relevante da América Latina e é o principal responsável pela preservação do audiovisual brasileiro. O museu, que já chegou a contar com mais de 150 funcionários, hoje mantém aproximadamente 30 servidores com contratos a expirar em dezembro deste ano.

O Manifesto pela Cinema Brasileira destaca também que “desenvolveu ao longo de 40 anos um laboratório de restauro, hoje reputado entre os três melhores do mundo, dispõe de reserva técnica climatizada, possui coleção documental única, instrumentos eficientes de difusão cultural, instalações invejáveis mesmo para as congêneres estrangeiras, enfim, tudo o que constitui um museu de ponta”.

No início deste ano, em fevereiro, um incêndio atingiu os arquivos da Cinemateca, destruindo cerca de mil rolos de filmes, de películas rodadas até 1950. Há três anos, um acordo com acordo com a ONG Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) foi suspenso por suspeita de irregularidades e desvio de verbas públicas. No entanto, as investigações não conseguiram provar os escândalos, que repercutiram internacionalmente, e colocaram a Cinemateca e a SAC entre desentendimentos político-administrativos.

Em nota, o MinC confirmou a exoneração de 81 funcionários comissionados. “As exonerações fazem parte da reestruturação da pasta e do plano de valorização dos servidores de carreira, anunciado pelo Ministro da Cultura, Marcelo Calero, por ocasião de sua posse”, diz a nota. Além de Olga, a Cinemateca perdeu outros integrantes da cúpula, entre eles Alexandre Myazito, do Centro de Documentação e Pesquisa; Adinael de Jesus, do Laboratório de Som e Imagem; Daniel Albano, de Planejamento e Administração; e Nacy Hitomi Korim, do Núcleo de Programação.

Escândalos

Em 2015, Olga assumiu a coordenação-geral da Cinemateca e trabalhou para recuperação da instituição. Ela é funcionária de carreira, tendo se dedicado à Cinemateca desde 1984, onde se aposentou em 2013. No entanto, o manifesto ressalta que seu sucessor anunciado “não é servidor público, nem atua no campo da cultura [especificamente] audiovisual. Pela primeira vez, a indicação de um coordenador-geral não partiu do Conselho Curador, violando prática adotada nos últimos 30 anos pelos sucessivos governos”.

Foi revelado que Oswaldo Massaini Filho, que é produtor de cinema, é réu em um processo de estelionato. Massaini trabalhava na corretora de valores SLW, que pertencia a Márcia Goldschmidt. O advogado disse que Márcia investiu cerca de R$ 200 mil na corretora entre 2001 e 2002, mas afirma que o dinheiro “evaporou”. Pelo crime, ele pode ser condenado por até cinco anos de reclusão, além de multa.

Grupo discute e fortalece presença feminina no audiovisual brasileiro

Grupo discute e fortalece presença feminina no audiovisual brasileiro


Conhecer e conectar mulheres. Esses são os maiores objetivos do grupo Mulheres Filmmakers e do Audiovisual, criado há pouco mais de um ano pela filmmaker paulista Patricia Bernal. Exclusivo para mulheres estudantes, profissionais e iniciantes do meio audiovisual, atualmente o grupo mantido no Facebook conta com a participação de mais de 2 mil membros. O espaço é dedicado a divulgar informações e vagas de trabalho, assim como tirar dúvidas e debater o espaço feminino ocupado por trás das câmeras.

O que começou como um grupo informal na rede social, acabou se tornando um projeto pessoal. Hoje Patricia dedica parte de seu tempo para impulsionar o crescimento do grupo e promove ações voltadas pra mulheres da área. No próximo dia 30 acontecerá o primeiro encontro presencial, com palestras e bate-papo com cineastas brasileiras. O evento acontecerá em São Paulo (SP) e será transmitido ao vivo pela internet.

Além de atuar como diretora, diretora de fotografia, montadora e na militância feminina no audiovisual, ela mantém o canal um YouTube chamado Câmera na Mão. Patricia compartilha dicas com cineastas e entusiastas, mulheres e homens, dando dicas sobre empreendedorismo na área do audiovisual e insights para quem quer começar a produzir de maneira independente ou trabalhar como freelancer.

Mulheres no Audiovisual

Quando decidiu deixar a carreira de jornalista para trás e se dedicar exclusivamente ao cinema, Patricia mudou-se para a Irlanda. A forma mais rápida e prática que encontrou para se enturmar e conhecer outros profissionais da área lá na Europa foi participando de grupos de filmmakers no Facebook. No entanto, em sua passagem pelo país, um fato a causou incomodo: não conheceu nenhuma filmmaker brasileira, apenas atrizes.

No retorno ao Brasil, além de não conhecer profissionais da área, Patricia notou a predominância masculina nos dois grupos de filmmakers brasileiros que participava. No entanto, essa predominância não é apenas uma coincidência. Uma pesquisa realizada pela ANCINE revelou que a disparidade de gênero no campo profissional do audiovisual. Dos 128 filmes nacionais lançados em 2015, 99 foram dirigidos por homens, 19 apenas por mulheres e 10 por ambos os sexos.

Unindo forças, é possível fortalecer a presença feminina no audiovisual e superar barreiras. Patrícia aponta que as principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres neste mercado são a falta de oportunidade (o que, consequentemente, prejudica o desenvolvimento profissional) e o forte machismo que existe no meio. “A posição firme da mulher muitas vezes, é vista como ‘fazendo drama’ ao invés de ser encarada com respeito e profissionalismo”, disse em entrevista ao Tela Brasil.

Discutir o empoderamento feminino, inclusive no meio audiovisual, é uma das formas de combater o machismo, lutar pela equidade de gênero e pelo reconhecimento. “As mulheres estão ganhando confiança com a união em grupos, coletivos e o assunto vem sendo discutido em diversos ambientes, como os festivais. Estamos em um momento muito favorável para a mulher, pois elas resolveram falar o que pensam, o que sofrem e do que são capazes”, destaca Patrícia.

Você é mulher, tem afinidade com o audiovisual ou é profissional da área? Envie uma solicitação para o grupo Mulheres Filmmakers e do Audiovisual, participe e acompanhe todas as novidades.

 

O gênio e a besta em O Bandido da Luz Vermelha

O gênio e a besta em O Bandido da Luz Vermelha


Quando do surgimento de um cidadão chamado Quentin Tarantino no início dos anos 1990, inúmeros críticos desavisados e desinformados trataram de atribuir a ele o título de “autor” e de logo encaixá-lo em um nicho específico, criando teorias sobre a chamada “pós-modernidade” no cinema. Estranhamente, ninguém percebeu que o tipo de cinema feito por Tarantino e seus vários seguidores – como seu amigo Robert Rodriguez – nada mais é do que uma variação brutalmente empobrecida da matéria empregada por Jean-Luc Godard desde Acossado (1959) até praticamente os atuais dias do século 21, repleta de referências, citações e o uso incomum da cultura pop ao lado da erudita.

Muito antes de Tarantino e após Godard, Glauber Rocha já praticava um cinema de referências, de citações e com o uso de rituais e canções populares ao lado de música clássica (além da poesia e da política). Em suma uma arte antropofágica, alimentava-se de várias coisas para vomitá-las em seguida. Para alguns, além de haver sido o baluarte e o mentor da geração do chamado Cinema Novo, Glauber ainda teria dado origem ao Cinema Marginal (nosso underground), quando no momento de seu exílio, em 1968, resolveu chamar alguns dos seus conhecidos para realizar Câncer, lançado em 1972, roteirizado, dirigido e montado de maneira anárquica.

Cena de Câncer, com Rogerio Duarte.

Cena de Câncer, com Rogerio Duarte.

Outros ainda dirão que Ozualdo Candeias com seu A margem (1967) foi o precursor dessa geração. Glauber em seguida renegou o Cinema Marginal e o ridicularizou, chamando-o de “udigrudi”. Mas a verdade é que o nosso underground não foi um movimento organizado como o Cinema Novo, com parâmetros próprios e pretensões artísticas. Hoje ele é estudado como se o tivesse sido, quando vários filmes feitos no período correspondente entre o final dos anos 1960 e meados dos 1970 são analisados de modo a compreendê-los dentro de um mesmo invólucro.

Essa geração, cujos grandes nomes eram Andrea Tonacci, Carlos Reichenbach, Júlio Bressane, o citado Ozualdo Candeias e Rogério Sganzerla, além de outros que surgiram na chamada Boca do Lixo em São Paulo, tinha como lema uma das várias frases geniais proferidas pelo protagonista de O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Sganzerla: “Quem não pode fazer nada, avacalha”.

Quando fez O Bandido da Luz Vermelha, Sganzerla era um jovem de 21 anos, crítico de cinema do Estado de São Paulo e devoto de Orson Welles. Seu filme, que pode ser considerado uma obra-prima, revela-se como um retrato de um Brasil disforme, onde reina a impunidade e a injustiça – algo que continua sendo atual. O

personagem principal, levemente inspirado em João Acácio da Rocha, o verdadeiro bandido da Luz Vermelha, é mais um retrato ficcional e não biográfico, onde Sganzerla se faz do mesmo para discursar indiretamente sobre traços filosóficos e niilistas de um país autoritário, submisso a uma Ditadura Militar que limitava os direitos individuais.

Para tanto, Sganzerla constrói o personagem como um homem de múltiplas identidades, que vive se fazendo a mesma pergunta: “Quem sou eu?”. Quem é esse homem? Um justiceiro urbano ou um facínora? Na verdade, ele é um homem dualista, um herói e um monstro, marcado por traços expressionistas.

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Sganzerla tentou e conseguiu realizar uma obra popular, apesar de aberta a significações, que se encaixa em inúmeros gêneros que pululam na tela através de um pastiche, como o western, o filme de gângster, o policial, a comédia e até mesmo a ficção científica. Um programa sensacionalista de rádio (da emissora Continental), usado como elemento narrativo, anuncia que se trata de um faroeste do terceiro mundo e não é demais imaginar que Luz é uma espécie de Robin Hood urbano, um bandoleiro moderno que caminha entre a linha tênue da genialidade e da bestialidade – anunciada por letreiros luminosos de um cinema – que toma feições políticas quando se junta a um movimento “terrorista”.

Sganzerla documenta, de forma histriônica, sarcástica e alegórica, a vida da década de 1960, onde o anseio por mudanças – principalmente em 1968, ano chave do século 20 – tornava-se cada vez maior e, se pensarmos que o filme foi realizado pouco antes do AI-5, o chamado golpe dentro do golpe, O Bandido da Luz Vermelha se torna um prenúncio de um período de trevas, de privação da liberdade. Assim, se as imagens do filme ganham um tom explosivo é porque as ideias de seu autor pareciam que iram explodir da tela a qualquer momento.

O Brasil de Sganzerla é o equivalente do Velho Oeste americano retratado pelo western spaghetti (sem leis), onde reinava a injustiça social e política. Luz não é nenhum gênio, mas também não é uma besta. Ele é um cidadão comum, o espírito do underground que ao invés de apenas reclamar resolveu tomar partido da situação e tentar resolvê-la com as próprias mãos (ou melhor: através da câmera que denunciava, criticava e fazia refletir).

O Bandido da Luz Vermelha Artigo

Para tanto, em O Bandido da Luz Vermelha, a polícia é vista como burra, corrupta, ineficiente e uma instituição conservadora e reacionária – além de um símbolo dos militares que estavam no poder naquele período – e os políticos como seres ambivalentes, de duas ou mais caras: populistas e inocentes para o povo e pistoleiros para seus mandatários. A burguesia é vista assim como a imaginamos, ou seja, hipócrita e interesseira – a verdadeira responsável pelo Golpe de 1964.

Sganzerla ainda lança mão de recursos narrativos inúmeros para ridicularizar e tratar toda a situação de uma forma anárquica, porém realista, com frases que dizem mais do que qualquer imagem. Ele nos joga na cara o traço de nosso subdesenvolvimento, de nossa miséria, não apenas relativa à fome, mas à miséria cultural e política soltando: “Os personagens não pertencem ao mundo, mas ao terceiro mundo”.

Luz é, como afirmou Inácio Araújo, um mito de um mundo que não mais existe, de um mundo revolucionário, de uma geração que pregava mudanças. Dessa forma, o rompimento desse cinema underground com os representantes do Cinema Novo nada diz politicamente, pois a política está lá em O Bandido da Luz Vermelha, em Bang Bang (1971), de Andrea Tonacci, em Matou a Família e Foi ao Cinema (1969), de Júlio Bressane, em Sem Essa, Aranha (1970), do próprio Sganzerla, e em tantos outros, mas se refere apenas a ideologias distintas. O que importa é a forma popular – própria de uma história em quadrinhos – anárquica, avacalhada, antropofágica, sem a poesia do Cinema Novo, porém com caráter alegórico e filosófico, que Sganzerla confere a O Bandido da Luz Vermelha.

* Análise de O Formalismo publicada originalmente na Revista Prosa nº 1, de setembro de 2011. Foram feitas algumas alterações em relação ao texto original e retirada do obvious.

Assista ao primeiro filme brasileiro premiado em Cannes

Assista ao primeiro filme brasileiro premiado em Cannes


Este ano as produções brasileiras marcam forte presença no Festival de Cannes, na França. Além de concorrer ao prêmio principal, o Palma de Ouro, com Aquarius, de Kleber Mendonça Filho, e A Moça que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda, o Brasil está nas mostras paralelas e também representado entre os jurados.

Mas, não é de agora que o cinema brasileiro deixa sua marca em um dos maiores e mais prestigiados festivais de cinema do mundo. A primeira participação aconteceu em 1949, com o filme Sertão, de João G. Martin, exibido na terceira edição do evento. O Brasil retornou à Riviera Francesa em 1951 e 1952, dessa vez em competição, com Caiçara e Tico Tico no Fubá, respectivamente, ambos de Adolfo Celi.

Em 1953, na quarta participação do cinema brasileiro em Cannes, sai o primeiro prêmio. O Cangaceiro, de Lima Barreto, apesar de não ter levado o prêmio principal, o Grand Prix du Festival International du Film (antecessor da Palma de Ouro), teve o seu reconhecimento. O clássico venceu na categoria de Melhor Filme de Aventura e recebeu Menção Honrosa pela Trilha Sonora (Gabriel Migliori).

O Cangaceiro

Baseado na obra literária de Lima Barreto, O Cangaceiro é considerado o melhor filme já produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, a antiga “Hollywood” brasileira. O drama conta a história de um grupo de cangaceiros que fica dividido após o surgimento de uma bela mulher.

Com a atmosfera de faroeste nordestino, somado ao drama romântico, épico e histórico, tornou-se uma temática clássica e frequente no cinema brasileiro, criando o gênero cangaço. Lima Barreto contou com a colaboração da romancista Rachel de Queiroz no roteiro.

Nas gravações de O Cangaceiro, de Lima Barreto. Foto: Divulgação

Nas gravações de O Cangaceiro, de Lima Barreto. Foto: Divulgação

O clássico de Lima Barreto foi o primeiro longa-metragem brasileiro a chegar no exterior e ser bem recebido em festivais e cinemas comerciais. Distribuído em mais de 80 países, ficou cinco anos em cartaz só na França. Já no Brasil, de bilheteria arrecadou R$ 3 milhões, na época em que a população brasileira era de apenas 52 milhões.

Mas, nem só alegrias marcam a história de O Cangaceiro. Devido ao contrato de distribuição com a Columbia, a Vera Cruz recebeu apenas R$ 1 bilhão do total arrecadado no Brasil, quantia insuficiente para cobrir o orçamento de R$ 1,5 bilhão. Para piorar sua situação, o estúdio também não teve participação em nenhuma das bilheterias do exterior.

A Vera Cruz quebrou em 1954, e o “responsável” por isso? O Cangaceiro.

Assista ao filme completo, que tem como música tema Mulher Rendeira, interpretada por Vanja Orico e pelo coro dos Demônios da Garoa:

Conheça os filmes brasileiros pré-selecionados para Cannes

Conheça os filmes brasileiros pré-selecionados para Cannes


Nesta quinta-feira (14), serão anunciadas as produções que irão competir pela Palma de Ouro na 69ª edição de um dos festivais de cinema mais tradicionais e o maior do mundo: Cannes. Na véspera do anúncio, as expectativas para ver o cinema nacional conquistar vagas e brilhar nas telas de cinema mundo afora só aumentam.

Neste ano, 12 produções nacionais foram pré-selecionadas e exibidas no início do mês de março para François Lardenois, um dos curadores do festival. Esses longas-metragens podem participar de alguma das mostras ou competições paralelas do Festival de Cannes. Confira:

1. A cidade do futuro, de Cláudio Marques e Marília Hughes

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Em pleno regime militar, nos anos 1970, mais de 70 mil moradores foram deslocados de uma região do norte da Bahia para construção da Hidrelétrica de Sobradinho. Aquela foi uma das maiores migrações compulsórias desde a Segunda Guerra Mundial. Quatro cidades e dezenas de vilarejos foram destruídos e morreram ali, submersos. Em 2015, quatro atores decidem descobrir suas origens e revisitar a história através de encenações.

2. Eu não vou dizer eu te amo, de Guto Bozzetti


Aqui, os fatores autorais e comercial entram em discussão. Sem grandes pretensões de carreira, um jovem músico é incentivado a compor canções mais comerciais. A pressão só aumenta com a chegada de seu pai, que quer ver a vida do filho seguindo um rumo certo e pede insistentemente por resultados. O longa-metragem foi produzido como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da turma de Produção Audiovisual da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), no Rio Grande do Sul, em 2015. O filme foi rodado completamente sem orçamento.

3. Eu te levo, de Marcelo Muller


Rogério tem quase 30 anos, é uma pessoa introvertida, gosta de rock e mora com sua mãe no interior de São Paulo. Seu pai morreu há poucos dias e agora os negócios da família precisam de um novo comando.Isso faz com que Rogério tenha que lidar que uma realidade, que vinha sido adiada há anos: resolver o que fazer de sua vida e tornar-se independente. Paralisado pela ideia de assumir responsabilidades, ele resgata um sonho de infância, já que o da adolescência fracassou. É assim que inicia o processo para entrar no Corpo de Bombeiros.

4. Fica mais escuro antes do amanhecer, de Thiago Luciano

O thriller psicológico é ambientado em uma região afetada por mudanças climáticas extremas. Após uma tragédia familiar, Iran entra em um processo de luto e, com a ajuda de sua mãe, Nilde, tenta se reencontrar. Enquanto o povoado enfrenta uma epidemia de depressão, Iran, que trabalha em uma fábrica de gelo, inicia um jogo psicológico perdido em suas lembranças.

5. Menino 23: Infâncias perdidas no Brasil, de Belisário França

O documentário reconstrói a história do professor de história Sidney Aguilar que descobre, por intermédio de uma aluna, algo assustador: tijolos marcados com a suástica, o símbolo nazista, em uma fazenda da região. Sidney buscou incansável pela verdade por trás dos tijolos, até entender a fundo o que aconteceu naquele lugar. Belisário é diretor do premiado documentário Amazônia Eterna.

6. Mulher do Pai, de Cristiane Oliveira


Em uma comunidade próxima à fronteira do Brasil com o Uruguai, a relação entre pai e filha se transforma. Ele é Ruben, um homem de 40 anos que ficou cego ainda jovem. Ela é Nalu, uma adolescente de 16 anos que está se tornando mulher. O desafio que a vida lhes propõe é aprender a se tratar como pai e filha depois da morte de Olga, mãe de Ruben, avó de Nalu, que os criou quase como irmãos.
 
7. A Noite Escura da Alma, de Henrique Dantas

A Noite Escura da Alma é um filme documentário experimental, que aborda o período da ditadura civil e militar ocorrida no estado da Bahia e usa da linguagem do documentário e da performance na construção da história. É um filme escuro, onde a grande maioria das entrevistas foi realizada no Forte do Barbalho, maior centro de tortura da Bahia. Nomes como Juca Ferreira, Lúcia Murat, Emiliano José, Theodomiro dos Santos, Renato da Silveira, entre outros, nos ajudam a contar esta necessária história.

8. Rebento, de André Morais

Após cometer um crime contra o filho recém-nascido, uma mulher foge da sua realidade, abandonando casa e a família, rumo a um destino incerto e desconhecido. Durante um dia inteiro, ela carrega consigo uma melancia como símbolo do ventre perdido. Enfrentando um mundo às vezes hostil e às vezes delicado, na tentativa de conviver com o amor e o desamor que traz em si, ela terá breves encontros marcarão o seu dia e a sua vida. Este é o primeiro longa-metragem de ficção do paraibano André Morais.

9. U: Réquiem para uma Cidade em Ruínas, de Pedro Veneroso


O embrião de uma revolução que toma forma nos meandros do sistema. Um manifesto processual para uma nova ordem cultural, urbana e social. Um documento subjetivo da cidade e de sua deturpada noção de progresso. Polilogia metropolitana, ensaios para reflexão e ação. Da distopia do progresso urbano medido pelos quilômetros construídos de tapetes de asfalto, pelas toneladas de concreto empilhado em montanhas artificiais, uma nova ordem se faz ouvir. O sussurro dos citadinos passa a ecoar sobre as ruínas de uma cidade cujo desenvolvimento sobrepuja os indivíduos e as memórias.

10. Urutau, de Bernardo Cancella Nabuco


Fernando é um adolescente tímido, que há sete anos mora em um pequeno quarto na casa de Josias. Na manhã em que eles completam mais um ano juntos, uma tragédia obriga Fernando a lidar com uma nova realidade. O longa de Bernardo Cancella Nabuco foi exibido na 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes e, segundo O Estadão, desestabilizou o público ao expor a vida em cativeiro.

11. Xale, de Douglas Soares


Uma história de um jovem e sua avó, descendentes de armênios fugidos do genocídio praticado pelo governo Turco, que vivem juntos em um apartamento de Copacabana decorado por memórias que estão se apagando. É necessário que um deles retorne a terra natal de seus ascendentes para que as lembranças ainda tenham alguma chance de existir.

12. Para Ter Onde Ir, de Jorane Castro

O longa-metragem foi filmado em Belém pela paraense Jorane Castro. A cineasta participou em 2001 da mostra Quinzaine des Realisateurs (Quinzena dos Realizadores), em Cannes, com As Mulheres Choradeiras. Não foram localizadas informações e sinopse do filme. O Assiste Brasil entrou em contato com a produtora Cabocla Filmes e aguarda retorno.

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