A trilogia do Recôncavo Baiano de Guido Araújo

A trilogia do Recôncavo Baiano de Guido Araújo


O movimento cinematográfico na Bahia das décadas de 1970 e 1980 não seria o mesmo sem Guido Araújo. Ele foi um dos membros do Coletivo Moacyr Fenelon na era pré-Cinema Novo e assumiu a frente de resistência à ditadura militar ao criar a Jornada de Cinema da Bahia. Enquanto cineasta, assinou documentários integrantes da Caravana Farkas (1960-1970), filmando a desconhecida cultura popular.

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Brasileiro não vê cinema alternativo brasileiro porque não se vê nele

Brasileiro não vê cinema alternativo brasileiro porque não se vê nele


Adoro filmes brasileiros. Já foi tempo em que eu cruzava a cidade pra assistir filme brasileiro. Detalhe no cruzar a cidade. É literalmente cruzá-la.

É que moro na zona norte e os cinemas cult do Rio estão na zona sul, eixo rico da cidade. Filme brasileiro não-comercial, simplesmente por sê-lo, entra no bolo “cult”.

E olha que nem moro em bairro periférico. Apesar de levar uma hora pra chegar no cinema, pegava apenas um ônibus. Tem quem leve a duração de um filme pra chegar no cinema.

Ah, e outra: você faz o quê às 14h? Trabalha, né. Sabe que horas passa o filme brasileiro? Adivinha.

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Por que precisamos falar sobre assédio?

Por que precisamos falar sobre assédio?


“Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo”. Susllem Meneguzzi Tonani, 28 anos, figurinista na Rede Globo, assediada no trabalho por José Mayer, 67 anos, ator renomado.

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‘Limite’, de Mário Peixoto: o início do cinema de arte no Brasil

‘Limite’, de Mário Peixoto: o início do cinema de arte no Brasil


Poucos conhecem o marco inicial da história do cinema de arte no Brasil: vinte anos antes do Cinema Novo revolucionar o cenário cinematográfica nacional, um filme despretensioso e até hoje desconhecido deu o pontapé inicial para a produção de cinema artístico no país.

Limite, de Mário Peixoto, encontrou pouco espaço no já limitado circuito comercial dos anos 1930. O realizador, de família poderosa, entrou em contato com o cinema enquanto estudava na Inglaterra: lá, Peixoto teve a oportunidade de conhecer o movimento vanguardista europeu in loco, durante os anos 1920. Mais do que o contato com diversos movimentos cinematográficos, entretanto, a ideia para Limite surgiu numa banca de revista: a capa de uma revista retratando uma mulher presa por braços algemados foi a imagem inicial em torno da qual Peixoto construiu o roteiro do longa.

A produção de Limite começou quando Peixoto retornou ao Brasil, após discutir o roteiro do filme em uma roda de amigos. E seu estágio inicial, o longa atraiu a atenção de importantes nomes do cinema brasileiro da época, como o produtor Ademar Gonzaga e o diretor Humberto Mauro.

Entretanto, foi a desconhecida cidade de Mangaratiba que possibilitou a realização de Limite: Peixoto entrou em contato com um influente tio que atuava como político no município e, em pouco tempo, toda a cidade estava mobilizada em torno do filme.

O terceiro vídeo da série Cinema Brasilis, do Cinemascope, explora as condições de produção e as curiosidades de Limite, importante obra nacional que desfrutou de limitadíssimo alcance, mesmo entre o público cinéfilo brasileiro. Confira:

José Medina: o cineasta pioneiro do cinema mudo brasileiro

José Medina: o cineasta pioneiro do cinema mudo brasileiro


Nos primórdios do cinema brasileiro, nos anos 1910, os filmes produzidos e filmados dentro do território nacional não circulavam entre outros estados. Nesta época o cinema era formado por Ciclos Regionais e um dos mais relevantes movimentos aconteceu no estado de São Paulo.

Dentre os nomes de destaque deste período, esteve o cineasta campineiro José Medina. Apaixonado pelas obras do norte-americano D.W. Griffith, cujo trabalho foi determinante na definição da linguagem cinematográfica, Medina foi pioneiro na cena do cinema paulista e aprendeu a fazer ficção empiricamente.

Ao lado do fotógrafo italiano radicado no Brasil, Gilberto Rossi, Medina fundou a produtora Rossi Filme. Dessa parceria surgiu a sua primeira ficção: o curta Exemplo Regenerador. O filme retrata “um pequeno drama social, feito em algumas horas do dia 14 de Março  de 1919” e chegou a ser exibido em salas de cinema de São Paulo.

Outros filmes de destaque produzidos pela parceria Medina/Rossi foram o longa-metragem Perversidade (1920), Do Rio a São Paulo para Casar (1922) e Gigi (1925). Suas obras foram vistas por importantes críticos da época, inclusive pelo modernista Mário de Andrade.

Em 1942, Medina também protagonizou outro importante fato histórico. Em plena Era Vargas, o seu primeiro filme sonoro, O Canto da Raça, foi censurado. A produção, baseada em um poema de Cassiano Ricardo, retratava a industrial cidade de São Paulo, entre fábricas e bondes. O filme foi acusado de “bairrismo” pela censura e todo material foi queimado.

Conheça mais sobre a história do ciclo do cinema paulista e do cineasta José Medina no segundo episódio da série Cinema Brasilis, realizada pelo Cinemascope:

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