Marielle Franco e os tiros disparados todos os dias “À Queima Roupa”

Marielle Franco e os tiros disparados todos os dias “À Queima Roupa”


A capa do jornal norte-americano Washington Post estampa: Marielle Franco tornou-se “símbolo global contra a opressão racial”. Entretanto, a reportagem também destaca que, particularmente para a elite branca, “o assassinato está sendo visto como um ato odioso que chama a atenção para a corrupção e a violência desenfreadas em uma cidade que é a vitrine do Brasil. Mas não está sendo visto como uma questão de racismo”.

Marielle Franco, quinta vereadora mais votada na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, negra, periférica, lésbica, feminista e relatora da comissão que acompanha a intervenção militar, foi brutalmente silenciada por denunciar crimes contra a vida cometidos por quem tem poder, distante das câmeras de segurança dos condomínios fechados. O motorista Anderson Gomes, que a acompanhava na noite do último dia 14, também morreu.

Cinco dias antes de ser assassinada, a vereadora escreveu em seu Facebook: “O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”. O Brasil é um dos quatro países do mundo onde mais se cometem homicídios contra ativistas de direitos humanos, segundo a Anistia Internacional.

O Washington Post utilizou uma pesquisa realizada pelo Instituto Igarapé para refletir sobre o racismo – que mata e muitos ainda alegam não existir. “Entre 2005 e 2015, a proporção de brasileiros pretos e pardos assassinados subiu 18% enquanto a estatística para brancos caiu em 12%”. Os números de policiais mortos e de pessoas mortas pela polícia, por milícias ou por balas perdidas são preenchidos, em maioria, por negros.

Conta-se ainda o fato de haver apenas políticos brancos frente aos ministérios em Brasília. A falta de representatividade dos negros na política não expressa a realidade social do Brasil. E quando a questão são mulheres negras nos espaços de poder, a situação se agrava ainda mais: Marielle Franco era uma das 32 mulheres negras entre 811 vereadores eleitos em capitais brasileiras em 2016. A relação entre todos esses dados não são meras (e infelizes) coincidências. São fatos.

Para seguir com esse debate, indicamos o documentário À Queima Roupa, de Theresa Jessouroun, lançado em 2014. A violência e a corrupção da polícia do Rio de Janeiro nos últimos 20 anos são investigadas no longa, que revela o impacto da violência policial na sociedade. O filme parte da Chacina de Vigário Geral de 1993, com 21 pessoas mortas, culminando com execuções cometidas em nome da lei em 2012 e 2013. Assista ao trailer abaixo:

Foto em destaque: Fernando Frazão/Agência Brasil

A trilogia do Recôncavo Baiano de Guido Araújo

A trilogia do Recôncavo Baiano de Guido Araújo


O movimento cinematográfico na Bahia das décadas de 1970 e 1980 não seria o mesmo sem Guido Araújo. Ele foi um dos membros do Coletivo Moacyr Fenelon na era pré-Cinema Novo e assumiu a frente de resistência à ditadura militar ao criar a Jornada de Cinema da Bahia. Enquanto cineasta, assinou documentários integrantes da Caravana Farkas (1960-1970), filmando a desconhecida cultura popular.

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Brasileiro não vê cinema alternativo brasileiro porque não se vê nele

Brasileiro não vê cinema alternativo brasileiro porque não se vê nele


Adoro filmes brasileiros. Já foi tempo em que eu cruzava a cidade pra assistir filme brasileiro. Detalhe no cruzar a cidade. É literalmente cruzá-la.

É que moro na zona norte e os cinemas cult do Rio estão na zona sul, eixo rico da cidade. Filme brasileiro não-comercial, simplesmente por sê-lo, entra no bolo “cult”.

E olha que nem moro em bairro periférico. Apesar de levar uma hora pra chegar no cinema, pegava apenas um ônibus. Tem quem leve a duração de um filme pra chegar no cinema.

Ah, e outra: você faz o quê às 14h? Trabalha, né. Sabe que horas passa o filme brasileiro? Adivinha.

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Por que precisamos falar sobre assédio?

Por que precisamos falar sobre assédio?


“Em fevereiro de 2017, dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo”. Susllem Meneguzzi Tonani, 28 anos, figurinista na Rede Globo, assediada no trabalho por José Mayer, 67 anos, ator renomado.

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‘Limite’, de Mário Peixoto: o início do cinema de arte no Brasil

‘Limite’, de Mário Peixoto: o início do cinema de arte no Brasil


Poucos conhecem o marco inicial da história do cinema de arte no Brasil: vinte anos antes do Cinema Novo revolucionar o cenário cinematográfica nacional, um filme despretensioso e até hoje desconhecido deu o pontapé inicial para a produção de cinema artístico no país.

Limite, de Mário Peixoto, encontrou pouco espaço no já limitado circuito comercial dos anos 1930. O realizador, de família poderosa, entrou em contato com o cinema enquanto estudava na Inglaterra: lá, Peixoto teve a oportunidade de conhecer o movimento vanguardista europeu in loco, durante os anos 1920. Mais do que o contato com diversos movimentos cinematográficos, entretanto, a ideia para Limite surgiu numa banca de revista: a capa de uma revista retratando uma mulher presa por braços algemados foi a imagem inicial em torno da qual Peixoto construiu o roteiro do longa.

A produção de Limite começou quando Peixoto retornou ao Brasil, após discutir o roteiro do filme em uma roda de amigos. E seu estágio inicial, o longa atraiu a atenção de importantes nomes do cinema brasileiro da época, como o produtor Ademar Gonzaga e o diretor Humberto Mauro.

Entretanto, foi a desconhecida cidade de Mangaratiba que possibilitou a realização de Limite: Peixoto entrou em contato com um influente tio que atuava como político no município e, em pouco tempo, toda a cidade estava mobilizada em torno do filme.

O terceiro vídeo da série Cinema Brasilis, do Cinemascope, explora as condições de produção e as curiosidades de Limite, importante obra nacional que desfrutou de limitadíssimo alcance, mesmo entre o público cinéfilo brasileiro. Confira:

José Medina: o cineasta pioneiro do cinema mudo brasileiro

José Medina: o cineasta pioneiro do cinema mudo brasileiro


Nos primórdios do cinema brasileiro, nos anos 1910, os filmes produzidos e filmados dentro do território nacional não circulavam entre outros estados. Nesta época o cinema era formado por Ciclos Regionais e um dos mais relevantes movimentos aconteceu no estado de São Paulo.

Dentre os nomes de destaque deste período, esteve o cineasta campineiro José Medina. Apaixonado pelas obras do norte-americano D.W. Griffith, cujo trabalho foi determinante na definição da linguagem cinematográfica, Medina foi pioneiro na cena do cinema paulista e aprendeu a fazer ficção empiricamente.

Ao lado do fotógrafo italiano radicado no Brasil, Gilberto Rossi, Medina fundou a produtora Rossi Filme. Dessa parceria surgiu a sua primeira ficção: o curta Exemplo Regenerador. O filme retrata “um pequeno drama social, feito em algumas horas do dia 14 de Março  de 1919” e chegou a ser exibido em salas de cinema de São Paulo.

Outros filmes de destaque produzidos pela parceria Medina/Rossi foram o longa-metragem Perversidade (1920), Do Rio a São Paulo para Casar (1922) e Gigi (1925). Suas obras foram vistas por importantes críticos da época, inclusive pelo modernista Mário de Andrade.

Em 1942, Medina também protagonizou outro importante fato histórico. Em plena Era Vargas, o seu primeiro filme sonoro, O Canto da Raça, foi censurado. A produção, baseada em um poema de Cassiano Ricardo, retratava a industrial cidade de São Paulo, entre fábricas e bondes. O filme foi acusado de “bairrismo” pela censura e todo material foi queimado.

Conheça mais sobre a história do ciclo do cinema paulista e do cineasta José Medina no segundo episódio da série Cinema Brasilis, realizada pelo Cinemascope:

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