Crítica: Aroeira, de Ramon Batista

Crítica: Aroeira, de Ramon Batista

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Conhecido pelo consistente trabalho nos curtas-metragens Fogo-Pagou (2012) e Capela (2014), o premiado diretor Ramon Batista leva às telas o seu terceiro trabalho. Produzido pela Uhoo! Filmes e aprovado em 2015 no edital Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, Aroeira se passa no sertão paraibano, onde Zé Pedro (Fernando Teixeira), um ancião benevolente, conhecedor de rezas e plantas medicinais, encontra no meio da mata um homem ferido (Daniel Porpino) ao qual se dedica a ajudar.

Aroeira é um filme baseado em uma história real vivida na década de 30, no baixo sertão da Paraíba e aposta na força da tradição, ressaltando um costume religioso e milenar. O filme também revela um sertão solitário e abandonado, mas resistente e forte com seus últimos sobreviventes. . De forma expressivamente artística, o curta lança um olhar sobre o sertão revelando um lugar místico, duro e seco, violento e desapiedado, enfatizando a cultura e a história de um povo a partir da adaptação do diretor sertanejo.

Assim como nos filmes anteriores, Batista se preocupou com a estética da imagem, a colocação da câmera, os movimentos, os enquadramentos. A fotografia conceitual e poética, assinada pelo paraibano Marcelo Quixaba e pelo pernambucano Breno César, complementa os aspectos que dão ao filme uma beleza visual encantadora. A qualidade do elenco está acima de qualquer discussão. O consagrado ator Fernando Teixeira (Velho Chico) divide a atuação ao lado do jovem e experiente Daniel Porpino (Aquarius). A equipe que agrega valor ao projeto complementa-se com o talento do Ismael Moura na maquiagem e efeitos, Paulo Roberto na assistência de direção, Torquato Joel na consultoria de roteiro e Carine Fiúza na produção executiva.

Vencedor do 2º Cine Jardim – Festival de Cinema de Belo Jardim (PE) nas categorias melhor filme (curta-metragem) e melhor ator (Fernando Teixeira), Aroeira é um trabalho repleto de qualidades. O diretor segue realizando seu desejo em utilizar o cinema como ferramenta de preservação das histórias sertanejas da pequena cidade de Nazarezinho e exibir sua produção em uma temporada em festivais no Brasil e exterior.

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Híbrido de cabeça e coração: uma entrevista com Gabriel Mascaro

Híbrido de cabeça e coração: uma entrevista com Gabriel Mascaro


Ideias aparente simples, mas que ao final revelam sua complexidade singular. Retratando a vida cotidiana e trazendo aos olhos questões sociais, o pernambucano Gabriel Mascaro construiu uma carreira sólida em passagem pelos maiores e principais festivais de cinema do Brasil e do mundo.  

Trazendo em suas obras o hibridismo de documentário e ficção, Mascaro revela as variadas faces de um Brasil. Indo de realidades luxuosas, no polêmico Um Lugar ao Sol (2009), às mais populares, como em Avenida Brasília Formosa (2010); tratando da questão de divisão de classes, discutido em Doméstica (2012), e sem esquecer de quebrar e rediscutir estereótipos, como em Boi Neon (2014).  

Ao longo de 10 anos de carreira, o artista e cineasta de 32 anos traz em seu currículo oito filmes, de longas e curtas-metragens, e divide seu tempo entre produzir instalações artísticas, escrever roteiros e, claro, dirigir filmes. Em uma entrevista sobre carreira, mercado e futuro, Gabriel Mascaro fala sobre seus trabalhos e compartilha do sentimento de estar por trás e frente às câmeras.  

Qual o conceito do cinema feito por Gabriel Mascaro?

É difícil definir isso de forma genérica e pragmática. Estou dentro de mim e não me olho de forma distanciada. Prefiro deixar esse trabalho para os críticos. A minha criação é orgânica: sai da alma, da cabeça, da pele e do coração.

Em sua filmografia, percebe-se o cuidado em produzir um cinema conceitual, sempre com uma pegada crítica. Por que optar pela busca de assuntos “polêmicos”?

Não é uma busca pela polêmica, mas sim o desejo de deslocar um ponto de vista. Fazendo isso, conseguimos chegar a “outros lugares”, onde a polêmica termina fazendo parte desse novo jogo de olhar.

Entre ficção e documental, alguns de seus filmes transitam no estilo híbrido. O que você considera no momento de optar por esse método?

É uma pergunta curiosa, mas na verdade não tem regra. Cada trabalho eu me envolvo com novos processos, novos desafios, e tento sair da minha zona de conforto. Em Boi Neon, meu último filme, por exemplo, foi a primeira vez que dirigi atores com experiência.

E em Ventos de Agosto, seu primeiro longa de ficção, você, além de dirigir, também atuou…

Neste filme, precisei acumular várias funções no processo para que meu corpo de realizador também entrasse no jogo de afeto e esforço do qual o filme estava a propor. Foi um processo de construção extremamente corpóreo e artesanal.

Acumular funções para você, no caso, foi uma opção, mas poderia ter sido uma necessidade. Quais as dificuldades enfrentadas pelos cineastas no mercado audiovisual que você destaca?

Fora as dificuldades para captar recursos de produção, o grande desafio a ser vencido numa escala maior é fazer com que os filmes cheguem ao público. Mas essa é uma briga que envolve até acordos na Organização Mundial do Comércio, devido ao lobby do cinema americano no Brasil. Um exemplo claro desse problema pode ser comprovado com Boi Neon. O filme, que entrou em cartaz no Estados Unidos e foi exibido no MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, não entrou na programação das salas de cinema comerciais do Rio Mar e Shopping Recife, dois grandes shoppings de Recife (PE).

Quanto ao cinema pernambucano em geral. Como você prevê o crescimento de produções e do mercado local?

Estamos vivenciando em Pernambuco um processo muito saudável que mistura projetos de filmes ousados e originais, que se somam a uma consolidação de uma política pública estadual que até agora vem valorizando esse cinema de invenção. No entanto, está em curso uma série de mudanças nas leis de incentivo no estado de Pernambuco. Espero que não tenhamos retrocesso na política pública.

Para finalizar, uma autorreflexão. Você é um dos poucos cineastas desta década que, em tão pouco tempo, produziu filmes quase que ininterruptamente e esteve muito presente em festivais nacionais e internacionais, sempre colhendo bons resultados. O que você tem a dizer sobre isso? 

Trabalhei exaustivamente nestes últimos anos 10 anos para conseguir materializar as ideias. Hoje sinto que “bateu a canseira”. Os anos passaram e preciso diminuir o ritmo. O corpo já não acompanha mais a velocidade do cabeça, sempre a mil. Já estou trabalhando em um novo projeto, mas não ligado ao cinema. Meu próximo trabalho será uma série fotográfica sobre separações, chamado Desamar.

Edição: Fernanda Mendonça 

“Reza a Lenda é um filme sobre opressão”, afirma diretor

“Reza a Lenda é um filme sobre opressão”, afirma diretor


Desde a adolescência, Homero Olivetto foi seduzido pelo universo dos quadrinhos e teve o imaginário povoado por histórias do sertão contadas por seu avô. Foi unindo o útil ao agradável que realizou Reza a Lenda, sua mais recente produção. Chamado de “Mad Max do Sertão”, o longa é a prova de que o cinema brasileiro é capaz de fazer um filme de ação de baixo orçamento.

Na trama, Ara (Cauã Reymond) é o líder de um bando de motoqueiros armados que acredita em uma lenda que promete libertar o povo da região. Ao realizarem um ousado feito, acabam despertando a fúria de Tenório (Humberto Martins). Em meio a perseguições, a jovem Laura (Luisa Arraes) é resgatada de um acidente e obrigada a seguir com Ara, despertando ciúmes em Severina (Sophie Charlotte).

Em uma conversa especial com o Assiste Brasil, o cineasta Homero Olivetto falou sobre o processo de produção, representatividade feminina e o resultado de Reza a Lenda. Confira:

Ao assistir Reza a Lenda, nota-se que o filme vai contra as tendências do atual cenário audiovisual brasileiro e aposta na mistura de ação, western e road movie. O que o levou a apostar nessa ideia?

Quando idealizei Reza a Lenda, meu pensamento foi o de fazer um filme que eu gostaria de assistir. Assim, apostei em uma linguagem universal para falar sobre temas que sempre me fascinaram. É a revelação de um Sertão metafísico e do banditismo social, heroico e controverso de alguns personagens marcantes da região. Ainda não parei para comparar o resultado final com o roteiro, mas acho que, na mensagem que eu gostaria que o filme passasse, ficou bem próximo ao que esperava no princípio.

O filme permeia o universo religioso e também político. Como é lidar com esses contextos tão emblemáticos em um único projeto?

Reza a Lenda é um filme sobre opressão. Ele trata de um indivíduo lidando com uma natureza dura e implacável. Em lugares assim é mais fácil usar a religião e a política como instrumentos de opressão, infelizmente. A chuva, na cabeça de Ara e seu bando, em um primeiro momento, é a ferramenta mais óbvia e direta para derrubada deste universo opressor.

Um aspecto que chama bastante atenção em Reza a Lenda é a sua estética. Como foi o trabalho realizado “por trás das câmeras” para apresentar este resultado?

A estética do filme foi fruto de anos de pesquisa sobre o Sertão, o cangaço e de uma preparação de meses na região de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), buscando localmente todos os elementos estéticos do filme. As roupas dos motoqueiros, por exemplo, foram criadas tendo como base as pessoas que vimos trabalhando lá, sob o sol. As cabeças cortadas vêm da época das volantes e do cangaço; os balões são referência às festividades de São João e por aí vai. O filme, esteticamente, é completamente brasileiro.

Você destacou que foram “anos” de pesquisas e “meses” de preparação para realizar Reza a Lenda. Afinal, quanto tempo foi dedicado à produção do longa, desde a concepção da ideia até a sua finalização?

O primeiro tratamento do roteiro foi escrito em 2006. De lá até 2014 foi feito todo o levantamento de dinheiro e estruturação para produzir o filme. Em 2014, começamos a preparar as gravações em março, mas só vieram acontecer na prática entre os meses de outubro e novembro, em seis intensas semanas. A pós-produção, da montagem, edição de som e mixagem até a finalização de imagem, levou quase um ano.

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Sophie Charlotte em uma das cenas de “Reza a Lenda”. Foto: Divulgação

E o maior desafio enfrentado pela equipe durante este processo foi…

No meu caso, foi na hora de filmar. Era preciso conseguir fazer tudo o que o roteiro pedia em apenas 6 semanas, já que era aquilo que o orçamento do filme comportava. Na realidade, o roteiro pedia mesmo eram oito semanas de filmagens.

Os atores Cauã Reymond e Sophie Charlotte dividiram tarefas nesse projeto e, além de atuarem, também produziram. Quais foram seus papéis nesse processo?

Os dois tiveram papéis distintos. Cauã participou da captação do filme, opinou no roteiro, além de ter divulgado o filme como ninguém. Já a Sophie entrou mais tarde, quando já estávamos perto de filmar. Seu papel na produção foi ligada diretamente à divulgação, que também fez de uma maneira incrível. Na frente das câmera, Cauã e Sophie foram maravilhosos. O processo deles e o resultado superaram minhas mais otimistas expectativas.

Acredita que ter no elenco nomes conhecidos da televisão ajudou o filme a ganhar mais espaço nas salas de cinema pelo Brasil? 

Imagino que sim, mas pouco. Se o Brasil tem um star system, ainda está muito mais concentrado nos comediantes.

Reza a Lenda é repleto de referências a grandes obras do cinema e também do universo das HQs. Quais foram as principais inspirações para Reza a Lenda?

No tema do filme, as inspirações vieram das estórias que meu avô me contava. O filme é dedicado a ele. Na linguagem, foram várias as referências. Desde a série de mangás Afro Samurai, na sua pegada sensorial pop, até o estilo do cineasta Sam Peckinpah, principalmente nos tiroteios caóticos. Mas, como um todo, posso afirmar que os westerns foram a principal fonte de inspiração para construir a linguagem de Reza a Lenda.

Reza a Lenda foi chamado de “Mad Max do Sertão” em uma comparação ao filme de George Miller, Mad Max: Estrada de Fúria, destaque no Oscar 2016. No entanto, essa relação não se justifica apenas por questões estéticas. Assim como a produção norte-americana, seu filme, coincidentemente, trouxe a mulher com uma representatividade marcante no enredo. Como foi a recepção do público diante a esse olhar sobre as personagens femininas?

Acho que as pessoas se surpreenderam muito com a Sophie [Charlotte] de Severina. É uma personagem forte, mas ao mesmo tempo é uma líder natural que abre mão de muita coisa e mete os pés pelas mãos pelo amor cego que sente por Ara. Quanto a Laura, personagem de Luisa [Arraes], quando aparece na garupa de Ara, expõe a fragilidade e insegurança que Severina não conhecia. Severina, neste recorte do filme, está justamente em um momento frágil, de crise, assim como a maioria dos outros personagens, tanto homens como mulheres.

Hermila Guedes: várias mulheres em uma só

Hermila Guedes: várias mulheres em uma só


Maria Bonita, Verônica, Suely, Francisca, Karla, Alaíde, Jovelina e Sargento Selma. Todas essas mulheres em uma só: Hermila Guedes. De Cabrobó, interior de Pernambuco, a jovem tímida que sonhava ser guia de turismo foi conduzida pelo destino e levada aos palcos dos teatros. Mas foi no cinema que Hermila se consagrou como atriz. Em 2000, aos 20 anos de idade, recebeu seu primeiro prêmio de melhor atriz no 4º Festival de Cinema de Recife e no 10º Cine Ceará pela participação no curta-metragem O Pedido, de Adelina Pontual.

Daquele momento em diante, a atriz não parou mais e já coleciona prêmios de diversas categorias do audiovisual. Seja no teatro, no cinema ou até mesmo na TV, Hermila encanta com sua forma carismática e peculiar de atuar, levando ao espectador todo encanto do universo lúdico do “ser atriz”.

Você estudou Turismo e Letras na UFPE e chegou até mesmo a trabalhar em agências de viagens. Como foi que descobriu que queria se tornar atriz?

Entrei num grupo para fazer teatro porque poderia ajudar o meu desempenho ao lidar com público. Sou uma pessoa muito tímida e pensava mesmo era seguir carreira como guia de turismo. Mas, como os trabalhos na área de arte foram aparecendo com mais frequência, fui fazendo e começando a gostar. Acabei me apaixonando pela profissão, mas confesso que até hoje, vez ou outra, duvido da minha vocação.

E a transição dos palcos para o cinema? Como aconteceu?

Estava ensaiando a minha primeira peça de teatro e fiz dois testes para o curta O Pedido, dirigido por Adelina Pontual. Por surpresa, passei. Foi o meu primeiro trabalho profissional — primeiro no cinema e primeiro na vida! Depois dele não parei mais e venho sempre desempenhando papéis importantes para minha vida profissional.

Quais as dificuldades para quem deseja entrar no mercado profissional das artes dramáticas com foco no cinema?

Hoje o cinema no Brasil é o sonho de consumo de todo ator e eles não estão pensando apenas no filmes, mas nos diretores e produtores que querem trabalhar. Acho que aí está a dificuldade: na concorrência. A televisão não é mais a única vitrine, e o cinema tem uma linguagem própria, fascinante. O ator tem a chance de viver processos, criar personagens mais densas. Isso o atrai, já que ele tem tempo de fazer melhor seu trabalho e dar o melhor de si na produção.

É fácil ser atriz em Pernambuco?

Não, mas já foi mais difícil, quando não tínhamos esse cinema tão forte. Fazer um filme em Pernambuco já abre muitas portas no mercado fora do estado. A visibilidade do trabalho realizado em Pernambuco já é grande nos festivais brasileiros, que também estão crescendo, e até mesmo em festivais do exterior. O ator é um dos profissionais que se beneficia com isso.

E como você avalia esse crescimento estrondoso e a qualidade do cinema produzido em Pernambuco atualmente?

Acho que devido à originalidade e diversidade das histórias contadas nos nossos filmes, atrelado ao nosso potencial, tanto de equipe, diretores e elenco, o cinema pernambucano vem ganhando visibilidade nacional e internacional. Nosso cinema consegue encher os olhos pela forma poética, verdadeira e bela que é produzido e isso foge do tradicional. Vejo que há um tempo esse estilo vem inspirando produções no Brasil. Temos grandes diretores, que inclusive estão abrindo portas para uma geração cheia de ideias, conceitos e criatividade. Acredito que muita coisa boa vem por aí. Vida longa a esse importante momento do cinema pernambucano!

Qual o diferencial das produções pernambucanas em relação às demais em que já atuou?

Temos uma maneira muito própria de fazer cinema aqui em Pernambuco. Fazemos filmes com poucos recursos e nem por isso eles deixam de ser belos, grandes. Nos apegamos a sonhos, desejamos vida longa e uma jornada feliz daquele trabalho. Acho que arriscamos mais e o resultado é de que cada trabalho feito aqui é único. Confesso que viciei nessa forma de trabalhar do cinema pernambucano.

Hermila Guedes em Era Uma Vez Eu, Verônica. Foto: Divulgação

Hermila Guedes em Era Uma Vez Eu, Verônica. Foto: Divulgação

Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Baixio das Bestas (2007), Assalto ao Banco Central (2011) e Era uma Vez Eu, Verônica (2012) são alguns dos grandes filmes de seu currículo. Como você analisa seu crescimento profissional ao longo dessa jornada?

Acredito que não ter passado por processos acadêmicos fez com que me apegasse à prática. Eu realmente aprendi fazendo. E é lógico que tive muita sorte de encontrar grandes diretores e generosos colegas de trabalho por esses anos afora, que ajudaram bastante no meu crescimento profissional. Todos em especial me fizeram ser a atriz que hoje sou. Tenho certeza de que cada trabalho aconteceu no tempo certo, reforçando a fluidez das minhas escolhas.

E quanto aos diretores com que trabalhou? O que cada um adicionou a sua carreira?

Tudo. Eu sou uma atriz obediente e amo ser dirigida. Cada diretor e cada trabalho foram e são bem especiais para mim. Cada um com sua forma de dirigir, eles foram moldando em mim a forma desejada para cada trabalho. Claro que tenho os meus prediletos, mas acredito que isso seja justificado pelo tempo que estive junto e pela maneira como fui conduzida.

Você é uma atriz que não para de produzir e já interpretou diversas personagens. Qual foi a mais difícil de fazer?

Difícil para mim é fazer uma personagem que não gosto e isso não teve até agora. Fiz boas escolhas, me entreguei igualmente a todos os trabalhos sem nenhum pudor ou julgamento. Claro que não se ganha sempre, mas fico feliz com a repercussão de todos.

Quais atores você destacaria como referência?

Posso citar Geninha da Rosa Borges, por quem tenho muito carinho e também por ser um marco em minha carreira — meu primeiro trabalho no cinema foi com ela. A atriz Laura Cardoso é outra que amo e que, embora nunca tenha contracenado com ela, me identifico bastante com a forma que constrói suas personagens. E os maiores atores do cinema no Brasil hoje são muito especiais para mim: João Miguel e Irhandir Santos. São generosos demais e aprendi muito com eles.

Qual filme nacional te marcou e o que você gosta de assistir no cinema?

Estômago, principalmente pela atuação de João Miguel. Também gosto muito de Cinema, Aspirinas e Urubus por sua poesia sem igual. Pouco vou ao cinema, prefiro ver filmes em casa. Sou um pouco obcecada, gosto de ficar atenta ao elenco, principalmente à atuação. Vejo o filme mais de uma vez e também fico revendo as cenas que gosto para não perder nenhum segundo e apreciar aquele momento.

Os anos e a beleza de Guida

Os anos e a beleza de Guida


Muitas mulheres se encontram dentro de uma personagem que tem a força de representar todas elas. É assim que Rosana Urbes mostra Guida, curta-metragem de animação que sintetiza o universo feminino. De forma poética e nostálgica, o filme propõe a reflexão sobre o tempo e a idade, apresentando uma personagem-símbolo de vitalidade e responsabilidade, deixando claro que, independente de idade, o que importa mesmo é ser feliz.

Oito mil desenhos feitos a lápis e aquarela compõem o filme de 11 minutos. Traduzindo em movimentos o olhar criativo da diretora e o domínio de técnicas do stop motion e 2D quadro a quadro, Guida respira arte. Desde a sutil estética em tons rosa, destacando a sensibilidade, até à trilha sonora, que determina o ritmo da narrativa e o desfecho do conto.

Cansada da vida monótona e solitária, a protagonista descobre um modo artístico de se expressar e passa a viver num mundo de sonhos onde nada pode mudar o que ela é, o que sente e o quanto quer. Anunciando com astúcia a beleza de cada idade, Rosana Urbes convida cada mulher a encontrar a Guida que há dentro de si e mudar seus conceitos. A produção foi vencedora do World Animation Celebration de 2014 na categoria de Animação Tradicional.

E você? Está esperando o que para ir de encontro a Guida? Clique na imagem abaixo e conheça seu universo!

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Original publicado no Ora Película

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