Por que o orçamento de ‘O Som ao Redor’ está sendo questionado após nove anos

Por que o orçamento de ‘O Som ao Redor’ está sendo questionado após nove anos


Em março deste ano, o cineasta Kleber Mendonça Filho (“Aquarius“) recebeu uma notificação do Ministério da Cultura (MinC) solicitando a devolução de R$ 2.162.052,68. O valor da cobrança é referente a recursos captados para a realização de “O som ao redor” (2012), que venceu em 2009 um edital da Secretaria do Audiovisual para projetos de longa-metragens de ficção de baixo orçamento.

(mais…)

Os filmes brasileiros que estreiam no 71 Festival de Cannes

Os filmes brasileiros que estreiam no 71 Festival de Cannes


Até o dia 19 de maio, a cidade de Cannes, na França, estará vivendo e respirando o cinema. O 71 Festival de Cannes acontece sob vestes de renovação, resgate histórico e desperta expectativas para a premiação final. Pela primeira vez em sua história, o júri, presidido por Cate Blanchett, é composto majoritariamente por mulheres. Ainda conta-se com o retorno do dinamarquês Lars von Trier, penalizado pelo festival após declarações polêmicas em 2011; a presença representativa de Jean-Luc Godard, no marco de meio século do histórico Maio de 68e o Quênia participando pela primeira vez do evento.

Há também muitas novidades brasileiras no 71 Festival de Cannes que, apesar de não estar na competitiva principal, participa com seis produções nas mostras paralelas. Na Un Certain Regard (Um Certo Olhar), dedicada a cineastas pouco conhecidos com propostas inovadoras, os cineastas João Salaviza e Renée Nader Messora foram selecionados com “Chuva é a cantoria na aldeia dos mortos”, coprodução Brasil-Portugal.

Na Semana da Crítica, que reúne diretores estreantes, estão Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt, que assinam conjuntamente a direção de “Diamantino”, que aborda a decadência de um jogador de futebol e toca em temas atuais, como a ascensão do fascismo e a crise dos refugiados. O filme é uma coprodução entre Brasil, Portugal e França. Em 2017, Kleber Mendonça Filho (“Aquarius“) presidiu a Semana da Crítica, sendo sucedido este ano pelo dinamarquês Joachim Trier (“Thelma”). 

As cineastas brasileiras em Cannes

Além da brasileira Renée Nader Messora, que assina a direção com o português João Salaviza, duas cineastas mulheres representam o Brasil na Quinzena dos Realizadores, seção independente e sem competição de Cannes que completa 50 anos. Beatriz Seigner, que dirigiu a comédia “Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano” (2010), apresenta o drama “Los Silencios”, coprodução com a França e a Colômbia. O filme se passa na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru e como cenário os conflitos armados na região.

Carolina Markovicz representa o Brasil na mostra na categoria de curtas-metragens. Na Quinzena, ela exibe “O órfão”, inspirado em um caso real de um garoto que foi adotado e devolvido algumas vezes. Carolina codirigiu o curta-metragem documental “69 – Praça da Luz”, vencedor do Festival do Rio de 2008.

Exibições especiais

Uma clássica coprodução Brasil-Holanda está na programação da mostra Cannes Classics. “A faca e o rio” (1971), do cineasta francês George Sluizer, é uma adaptação do livro homônimo de Odylo Costa Filho. O filme, que narra a história do nordestino João da Grécia, foi escolhido como representante brasileiro ao Oscar de 1974, não chegando a ser indicado.

Cacá Diegues faz um retorno especial ao evento com o aguardado “O grande circo místico”, coproduzido por Brasil-França-Portugal e rodado em 2015. O cineasta participou da competição oficial de Cannes com “Um Trem Para as Estrelas”, em 1987; “Bye bye, Brasil”, em 1980 e “Quilombo”, em 1984, todos em competição oficial. Desta vez, sua produção será exibida dentro da Sessão Especial. Aproveitando a ocasião, Cacá receberá uma homenagem, como anunciado por Thierry Frémaux, delegado geral do festival.

Imagem de destaque do filme “Los Silencios”, de Beatriz Seigner. Crédito: Divulgação/Semaine de la Critique du 71 Festival de Cannes

Abertas inscrições para mostra competitiva do Animage 2018

Abertas inscrições para mostra competitiva do Animage 2018


O Brasil vive um momento importante para a animação brasileira, que acaba de completar 100 anos, e será o país homenageado no Festival de Annecy (França), considerado  o maior evento de cinema animação do mundo. Há nove edições, o Animage – Festival Internacional de Animação de Pernambuco colabora na fomentação da animação nacional e internacional, e na formação de público. Até o dia 12 de julho, o festival recebe inscrições para a Mostra Competitiva de curtas-metragens de 2018, que deve ser realizada no site do festival.

A mostra competitiva premia os melhores filmes selecionados nas categorias “Melhor Curta-Metragem – Grande Prêmio Animage”, “Melhor Curta Infantil”, “Melhor Curta Brasileiro” e “Prêmio do Público”, além de melhor Direção, Roteiro, Direção de Arte, Técnica e Som. A seleção recebe filmes nacionais e internacionais realizados a partir de 2017, que contemplem técnicas de animação e com duração máxima de 30 minutos.

Em 2017, o Animage se expandiu e levou Mostras Especiais para as cidades de Camaragibe, Arcoverde e Triunfo. Em março, o Animage marcou presença em Portugal, levando uma Mostra Pernambucana para a Monstra – Festival Internacional de Animação de Lisboa, um dos mais tradicionais da Europa.

Neste ano, o Animage será realizado de 12 a 21 de outubro, com programação variada – gratuita ou a preços populares, que exibe uma ampla seleção de curtas e longas, a maioria inéditos e convida nomes importantes do cinema de animação. Além da Mostra Competitiva, oferece sessões e mostras especiais, longas metragens, oficinas, debates, masterclass, capacitação e promove iniciativas sociais e ambientais. Mais informações serão divulgadas em breve e disponibilizadas no site do Assiste Brasil.

Foto de destaque: Divulgação/Ivana Borges

Aplicativo reunirá informações de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

Aplicativo reunirá informações de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

Tags: ,

Um recente estudo divulgado pela Ancine comprovou um dado notório: homens brancos são protagonistas do mercado cinematográfico brasileiro. Eles dirigiram 75,4% dos longas lançados em circuito comercial em 2016, enquanto mulheres brancas 19,7% e homens negros 2,1%. Nenhum filme no ano da pesquisa foi dirigido ou roteirizado por mulheres negras.

Para fortalecer a participação feminina no audiovisual e dar visibilidade, a pesquisadora Ana Heloiza Vita Pessotto desenvolveu uma plataforma de catalogação de filmes brasileiros dirigidos por mulheres, cis e trans. No aplicativo a cineastA será possível acessar um catálogo com informações completas, com ficha técnica, sinopse, equipe, local de produção, prêmios e fomentos recebidos. Também serão disponibilizados indicadores de região, cor da pele, ano de produção e equipe feminina.

Em fase de finalização, o lançamento está previsto para junho deste ano e o download será gratuito para celulares e tablets.

Cadastro de filmes brasileiros dirigidos por mulheres

A base de dados está sendo desenvolvida através do resgate de obras clássica e históricas realizadas por mulheres e também por cadastro colaborativo. Até o dia 30 de abril, é possível cadastrar obras audiovisuais brasileiras dirigidas por mulheres através do formulário disponível no site. O cadastramento pode ser feito por qualquer pessoa interessada em colaborar com o projeto, mesmo não sendo necessariamente parte da equipe de produção.

Para inscrição através do formulário, é necessário atender alguns requisitos. Os filmes, live action ou animação, devem ser dirigidos por mulheres brasileiras, cis e trans. São aceitas produções de curta, média e longa-metragem; ficção seriada e programas para TV ou Vídeo On Demand; webséries e videoclipes. Filmes publicitários, games, vídeos institucionais e vídeos de YouTube com formatos distintos ficam de foram da catalogação.

A ideia principal do projeto é que o próprio setor e as mulheres introduzam suas obras, permitindo que sejam encontradas e ganhem visibilidade. No catálogo estarão não apenas filmes lançados em circuito comercial, como também produções universitárias e independentes, que encontram janelas de exibição na internet ou em festivais e mostras de cinema.

A idealizadora

Ana Heloiza Vita Pessotto, idealizadora do projeto, é produtora audiovisual e pesquisadora de doutorado do programa de Mídia e Tecnologia da Unesp. Formada em Rádio e TV pela mesma instituição, segue uma trajetória de produções acadêmicas que promovem a produção audiovisual brasileira e a diversidade cultural.

Sua motivação em desenvolver o aplicativo surgiu quando era estudante de graduação. “Durante o curso, comecei a perceber que haviam muitas mulheres, mas nas aulas falávamos majoritariamente de obras dirigidas por homens”, explica. Através de suas pesquisas, que envolvem a temática de gênero, representatividade e distribuição de produções fora do eixo comercial, ela busca influenciar mudanças no setor.

Com o app a cineastA, a pesquisadora pretende oferecer às mulheres um espaço de exposição permanente de seus filmes e ampliar o reconhecimento. “Ter um espaço só com diretoras brasileiras dá a elas o protagonismo”, destaca Ana Heloiza. As produtoras também se beneficiam com o catálogo de informações, já que o destaque da ficha técnica permitirá a busca por profissionais específicos em uma produção.

O projeto foi financiando pelo edital App pra Cultura, iniciativa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura que tem como objetivo fomentar aplicativos ou jogos eletrônicos em duas categorias: cultura livre e audiovisual. A cineastA foi contemplado pelo Edital, com a maior pontuação e ocupando primeira colocação na categoria audiovisual no país todo. O prazo de desenvolvimento é de 4 meses e iniciou em fevereiro.

Na imagem em destaque, a mineira Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um filme no Brasil.

Festival Internacional de Mulheres no Cinema recebe inscrições de longas nacionais

Festival Internacional de Mulheres no Cinema recebe inscrições de longas nacionais


Alinhado com agendas públicas nacionais e internacionais de equidade de gênero no cinema, o Festival Internacional de Mulheres no Cinema (FIM) faz sua estreia no circuito de mostras e festivais da cidade de São Paulo. Valorizando e premiando a produção de obras dirigidas exclusivamente por mulheres, o festival abriu na última quinta-feira (5) as inscrições para a mostra competitiva de longas-metragens nacionais.

(mais…)

Pin It on Pinterest