A exibição de curtas e longas contemporâneos em festivais de cinema vêm causando um avalanche de sentimentos e discussões nos últimos meses. Cada um, a sua forma, traz conceitos e visões muitas vezes implícitas, como é o caso da animação Amor Objeto.

Resultado da disciplina de animação experimental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a produção, assinada pelas estudantes de Design Helena Ferreira e Rayana França, conta em aproximadamente um minuto as peripécias de um homem (representado por uma prótese do órgão sexual masculino) que se envolve com diversas mulheres (objetos femininos). Ele acha que todas são iguais, até encontrar uma nova (ou inovadora) parceira que muda sua percepção de que apenas o homem sente prazer em encontros casuais.

Aparentemente, Amor Objeto é uma animação que ressalta uma crítica à sociedade machista que vive em uma constante busca por novas parceiras; apenas para curtir o momento e nada mais. No entanto, o enredo ultrapassa o tema “sexo”, expondo nas entrelinhas um universo de prazeres múltiplos e evidenciando os fetiches que homens e mulheres têm em mente e colocam em prática nos momentos mais íntimos.

O curta passa longe de ser apenas uma animação experimental e deixa seu recado estampado: as mulheres sabem sim o que querem em seus relacionamentos e nem sempre estão submissas à satisfação de desejos do homem. O saldo de festivais no currículo desse curta já chega a sete, passando inclusive pelas telonas em Londres e Lisboa. O filme segue em circuito competitivo e sua próxima exibição será no 4º Festival de Cinema da cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.

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