Uma denuncia da segregação social nos estádios de futebol brasileiros. Esse é o mote do documentário Adeus, Geral, dirigido por Gustavo Altman, Martina Alzugaray, Matheus Bosco, Pedro Arakaki e Pedro Junqueira. O filme, que trata da “elitização” nas arquibancadas e suas consequências econômicas, sociais e culturais, estreou em uma exibição gratuita no Museu de Imagem e Som (MIS) e será disponibilizado na íntegra na internet este mês.

O documentário faz uma crítica ao crescente custo dos ingressos nos últimos ano e a exclusão da famosa “geral” dos estádios – áreas em que os ingressos eram baratos e eram geralmente ocupadas por torcedores de baixa renda. “As arenas foram sendo construídas e os preços dos ingressos foram aumentando. Assim, muitas pessoas deixaram de ir aos estádios porque os ingressos estão caros. Antes das arenas os preços já estavam caros, mas a partir da Copa aumentou mais”, explica o diretor Gustavo Altman.

Por causa da elitização dos estádios, mostra o documentário, o futebol deixou de ser uma fonte de lazer para todas as classes da população, tornando-se exclusivo para uma camada social de mais poder aquisitivo. Altman conta que os torcedores são a representação, nas arquibancadas, da desigualdade social. “O futebol é um microcosmo da realidade, é uma representação social da realidade. Portanto, como quem tem dinheiro manda, no futebol, o mesmo se aplica.”

Gustavo conta que o processo de elitização, com o afastamento do “povão” dos estádios, teve início após o chamado “Desastre de Hillsborough”, em 1989, na Inglaterra – quando 96 torcedores morreram pisoteados num estádio superlotado para uma partida entre Liverpool e Nottingham Forest. Depois da tragédia, a então primeira-ministra Margaret Thatcher anunciou uma série de medidas que levaram à “modernização” e elitização do futebol, com a exclusão das camadas sociais mais pobres.

O documentário mostra que, no Brasil, após a Copa do Mundo de 2014, a elitização ganhou mais força com a construção das arenas. “A elitização faz com que palmeirenses fanáticos não consigam entrar no Allianz Parque. Da mesma forma, há corintianos que nunca foram ao estádio de Itaquera. O preço dos ingressos selecionou quem faz parte do espetáculo”, afirma Juca Kfouri, em entrevista ao Adeus, Geral.


Por Felipe Mascari, publicado originalmente na Rede Brasil Atual (com modificações)