Fernanda Montenegro, referenciada como a dama do teatro, é também uma das mais aclamadas atrizes da história do cinema brasileiro. Em 1999, tornou-se a primeira artista latino-americana e única brasileira, atuando em língua portuguesa, indicada ao Oscar de melhor atriz com “Central do Brasil”. Pelo papel, recebeu o Urso de Prata, no Festival de Berlim de 1998. Outro título que carrega é de ser a primeira brasileira a receber o Emmy Internacional de melhor atriz por “Doce de Mãe”, em 2013.

Para além dos marcos, a atriz, que completa 90 anos, construiu uma sólida e fascinante carreira em quase sete décadas de plena atividade, com mais de 80 filmes, novelas e minisséries e centenas de peças de teatro. Ela compartilha suas memórias no recém-lançado livro “Prólogo, ato, epílogo: Memórias” e, em comemoração ao seu aniversário, recebeu diversas homenagens, entre eles um texto de sua filha Fernanda Torres e uma edição especial no Globo Repórter.

Em 2019, Fernanda estreia mais dois filmes e aguarda o lançamento de um terceiro para 2020. O primeiro a chegar aos cinemas, em outubro, é “A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, e depois tem, em dezembro, “O Juízo”, de Andrucha Waddington, com roteiro de Fernanda Torres. Para o próximo ano, está previsto “Piedade”, de Claudio Assis.

Para não perder a oportunidade de conhecer mais a fundo o trabalho dessa grande atriz, o Assiste Brasil selecionou dez filmes que marcam sua trajetória no cinema. Confira!

A Falecida (1965)

A presença de Fernanda Montenegro no cinema foi arrebatadora desde sua estreia. O primeiro filme que atuou foi dirigido por Leon Hirszman, com roteiro escrito a duas mãos por Hirszman e Eduardo Coutinho, baseado na obra de Nelson Rodrigues. Uma das cenas mais icônicas é de Zulmira, sua personagem, tomando um banho de chuva no quintal de sua casa após um presságio. A atuação rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília de 1965 e, contraditoriamente, foi censurado na Ditadura Militar sob alegação de que Fernanda estava em “seu peior (sic) papel em representações”.

Eles Não Usam Black Tie (1981)

No filme de Gianfrancesco Guarnieri, Fernanda protagoniza uma das cenas mais marcantes não só de sua carreira, como também do cinema brasileiro. Sua personagem, Romana, ao lado do marido, interpretado por Guarnieri, sofre o luto da perda de um grande amigo e a expulsão do filho de casa. O silêncio que domina o ambiente é quebrado a partir do momento em que a personagem começa a catar feijões e colocá-los em uma panela de alumínio.

A Hora da Estrela (1985)

No filme de Suzana Amaral, a atriz assume o papel da excêntrica cartomante Madame Carlota, que gosta de contar as histórias de seu passado às clientes e oferecer conselhos. Ela passa simpatias para Glória (Tamara Taxman) arrumar um marido e prevê o futuro de Macabéa (Marcelia Cartaxo).

Veja Esta Canção (1994)

No segmento “Samba do Grande Amor”, inspirado na música homônima de Chico Buarque, Fernanda Montenegro interpreta Alzira, uma mulher de terceira idade, dona de casa e costureira, mas que por anos se apresentou como cantora lírica no teatro municipal. Um bicheiro que trabalha em frente ao seu prédio se apaixona pela voz que escuta todos os dias, antes mesmo de conhecê-la. O filme é dirigido por Cacá Diegues e tem roteiro de Betse de Paula, Isabel Diegues e Nelson Nadotti.

Central do Brasil (1998)

O papel que rendeu a Fernanda Montenegro a indicação ao Oscar e o marco de tornar-se a primeira artista latino-americana a concorrer na categoria de melhor atriz. No filme, dirigido por Walter Salles, a atriz interpreta Dora, uma professora aposentada que trabalha escrevendo cartas na Estação Central do Rio de Janeiro. A rotina da personagem, complexa e enigmática, é modificada pela presença de Josué (Vinicius de Oliveira), um garoto que deseja encontrar seu pai no sertão nordestino.

O Auto da Compadecida (2000)

Na produção dirigida por Guel Arraes e adaptada da obra de Ariano Suassuna, Fernanda interpreta Compadecida (Nossa Senhora), convocada por João Grilo (Matheus Nachtergaele) no momento de seu julgamento. “O Auto da Compadecida” foi desenvolvida inicialmente em formato de minissérie e transformada em longa-metragem.

O Outro Lado da Rua (2004)

Marcos Bernstein, um dos roteiristas de “Central do Brasil”, estreia na direção com um filme protagonizado por Fernanda Montenegro. Na trama, a atriz interpreta Regina, uma solitária mulher de 65 anos, “de sinceridade excessiva e ironia incontida”, que assume a tarefa de denunciar à polícia os pequenos delitos que flagra. Fernanda recebeu pela atuação o prêmio de melhor atriz no Festival de Tribeca, em Nova York, entre outras indicações.

Casa de Areia (2005)

“Casa de Areia” não é o primeiro filme em que Fernanda Montenegro e Fernanda Torres integram o elenco, mas certamente é um dos mais notáveis. Montenegro interpreta Dona Maria, mãe de Áurea (Torres). O português Vasco (Ruy Guerra), seu genro, leva ela e sua filha a uma jornada em busca da realização de um sonho: viver em terras prósperas, recentemente adquiridas por ele. A direção é de Andrucha Waddington, que concorreu ao grande prêmio em Sundance.

Doce de Mãe (2012)

Fernanda Montenegro é Dona Picucha, uma viúva de 85 anos, sempre bem-humorada, apaixonada por samba e pela cozinha. Ela reúne os filhos para anunciar que a empregada doméstica que trabalha em sua casa há 27 anos deixará o emprego. É neste momento que a personagem reencontra sua liberdade. A produção foi lançada inicialmente como especial de fim de ano pra a TV e adaptada para uma versão seriada, em 2014. Com a personagem, Fernanda recebeu em 2013 o Emmy Internacional de melhor atriz e tornou-se a primeira brasileira ganhar a premiação. Em 2015, a minissérie recebeu um novo Emmy, desta vez de melhor série de comédia. A direção é de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo.

O Beijo no Asfalto (2018)

A terceira e mais recente adaptação da peça homônima escrita por Nelson Rodrigues marca a estreia de Murilo Benício na direção. Fernanda Montenegro – que interpretou Selminha na montagem original de “O Beijo no Asfalto” para o teatro, em 1960 – é D. Matilde, a senhora “faladeira” que acompanha a repercussão nacional do homem que beijou o outro no asfalto. O filme, metalinguístico, intercala as atuações em um cenário teatral a momentos de leitura do roteiro em uma grande mesa. Nesse filme, é possível conhecer de perto o trabalho realizado por Fernanda para a construção da personagem.

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