Terceiro longa-metragem de Selton Mello, O Filme da Minha Vida pode ser interpretado em seu sentido literal. O filme tem grandes chances de se tornar o grande filme da vida do diretor, roteirista e ainda ator, que ainda poderá figurar um clássico do cinema nacional pelo conjunto de sua obra.

O enredo é baseado no livro Um Pai de Cinema, de Antonio Skarmeta. Selton mostra-se inspirado como diretor, apresenta uma composição impecável de personagem como ator e consegue oferecer uma história emocionante e sem exageros como roteirista. Essa, possivelmente, seja sua melhor performance artística.

Selton Mello e Johnny Massaro em cena de O Filme da Minha Vida.

Selton Mello e Johnny Massaro em cena de O Filme da Minha Vida.

A história é de Tony Terranova (Johnny Massaro), um jovem de Remanso, cidadezinha na Serra Gaúcha, que retorna à sua cidade natal após alguns anos de estudos na capital. Ao chegar, descobre que seu pai Nicolas (Vincent Cassel) voltou para a França no mesmo trem de sua chegada. Tony acaba tornando-se professor e vive conflitos típicos do inicio da fase adulta em paralelo à ausência do pai.

O visual e a fotografia encantam juntamente com uma trilha sonora original. Esses aspectos fílmicos nos transportam para dentro do universo emocional de Tony e proporcionam vivenciar todas as descobertas e agruras de vida do protagonista. Seus problemas, apesar de focados no dilema interno com seu pai, não se limita a isso. Ele também enfrenta instabilidades no cotidiano morando com a mãe Sofia (Ondina Clais) e divide seu coração apaixonado pelas irmãs Madeiras (Bruna Linzmeyer e Bia Arantes).

Luna Madeira (Bruna Linzmeyer), doce e quase ingênua, compartilha a fase de descobertas amorosas junto com ao protagonista Tony Terranova.

Luna Madeira (Bruna Linzmeyer), doce e quase ingênua, compartilha a fase de descobertas amorosas junto com ao protagonista Tony Terranova.

Em todo o filme permeia o sentimento de afeto. As relações familiares, os desdobramentos da ausência de um pai, os primeiros grandes eventos de uma juventude, como a perda de virgindade, o primeiro grande amor e a iniciação da vida profissional. Isso tudo retratado com uma dose de humor muito peculiar, um toque da autoria do diretor.

Com ares de cinema italiano, fotografia em tons pastéis e a junção do popular ao cult, Selton Mello mantém a essência cinematográfica de O Palhaço (2011). A película afetuosa resgata as relações íntimas, tão guardadas no inconsciente de cada um, que vêm à tona na tela de um modo sensível e tocante. O Filme da Minha Vida provoca um suspiro de alívio em meio ao caos.

 

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