Reunimos em uma lista sugestões de filmes e documentários brasileiros que exploram a temática gênero e sexualidade de maneira poética e política. Confira a seleção:

1. Para Sempre Teu Caio F., de Candé Salles

Cinebiografia de Caio Fernando Abreu, morto aos 47 anos, vítima de HIV. Sua trajetória foi marcada por laços afetivos tão intensos quanto obras emblemáticas. Inspirado no livro homônimo, escrito por Paula Dip, o enredo mistura linguagens inerentes à obra de Caio F. – cinema, teatro, música e literatura. A narrativa é conduzida por depoimentos de pessoas que mantiveram algum tipo de relação com o escritor.

2. Beira-Mar, de Filipe Matzembacher e Marcio Reolon

Os colegas Martin e Tomaz embarcam em uma viagem física e intrínseca. Alternando entre distrações corriqueiras, reflexões sobre suas vidas e a amizade, os garotos se abrigam em uma casa de vidro, à beira de um mar frio e revolto no litoral gaúcho.

3. Doce Amianto, de Guto Parente e Uirá dos Reis

Um filme que é uma quebra de padrões narrativos e constrói um mundo de fantasia, mas também de dor. Amianto vive isolada em uma realidade sustentada por seus delírios de incontida esperança, onde sua ingenuidade e sua melancolia convivem de mãos dadas.

4. Divinas Divas, de Leandra Leal

O trabalho de estreia de Leandra Leal na direção tem um peso simbólico e afetivo. O filme traz para a cena a intimidade, o talento e as histórias de uma geração que revolucionou o comportamento sexual e desafiou a moral de uma época. No centro estão as Divinas Divas, ícones da primeira geração de artistas travestis no Brasil dos anos 1960. Um dos primeiros palcos a abrigá-las foi o Teatro Rival, dirigido por Américo Leal, avô da diretora. Divinas Divas está em exibição na Sessão Vitrine Petrobrás.

5. Meu Nome é Jacque, de Angela Zoé

Jaqueline Rocha Côrtes, mulher transexual brasileira e portadora do vírus HIV há mais de 20 anos, milita pela causa e tem sua trajetória marcada por lutas e conquistas. Ela, que já trabalhou como representante do governo brasileiro e na ONU, hoje é casada e mãe de dois filhos. O documentário acompanha seu cotidiano e inicia uma reflexão sobre o preconceito, a homolesbotransfobia e a essencialização das pessoas e de suas características.

6. Elvis & Madona, de Marcelo Laffitte

O destino de Elvis, a entregadora de pizza lésbica, e da travesti Madona se cruza. Inicia-se assim uma relação que questiona os padrões e os deixam confusos com suas próprias sexualidades. Um filme contra rótulos, modelos e pré-determinações.

7. Madame Satã, de Karim Aïnouz

O filme franco-brasileiro protagonizado por Lázaro Ramos conta a história de um ícone histórico da cena cultural marginal carioca. Frequentador do bairro da Lapa, João Francisco dos Santos é malandro, artista, presidiário, pai adotivo de sete filhos, negro, pobre e homossexual. A produção conta o antes e o depois do surgimento de Madame Satã.

8. Tatuagem, de Hilton Lacerda

Arte, contravenção, amor e anarquia. No Brasil dos anos 1978, em plena ditadura, um grupo de artistas provoca o poder e a moral estabelecida com seus espetáculos e interferências públicas sob o comando de Clécio Wanderley (Irandhir Santos). A vida do personagem se transforma ao conhecer Fininha (Jesuíta Barbosa), o soldado Arlindo Araújo.

9. Laerte-se, de Lygia Barbosa da Silva e Eliane Brum

O primeiro documentário original brasileiro da Netflix foi protagonizado por uma personagem especial. A cartunista Laerte Coutinho está no centro de uma “jornada introspectiva” sobre transformação e definições. Após quase 60 anos sendo identificada pelo gênero masculino, tendo passado por três casamentos e com três filhos, ela assumiu sua transsexualidade. Afinal, o que é ser e tornar-se mulher?

10. Flores Raras, de Bruno Barreto

A história da poeta americana Elizabeth Bishop e da arquiteta carioca Lota de Macedo Soares se transformou em um filme sensível protagonizado por Gloria Pires e Miranda Otto. As trajetórias marcantes dessas mulheres ilustres se passa no Brasil dos anos 1950 e 1960, quando a Bossa Nova explodia e Brasília era construída e inaugurada.

11. Mãe Só Há Uma, de Anna Muylaert

Após uma denúncia anônima, o adolescente Pierre descobre que foi roubado da maternidade. A mulher que o criou não é sua mãe biológica. Além de ter que lidar com o choque de realidade, ele é obrigado a trocar de família, de nome, de casa, de escola. Tudo isso em meio às descobertas de sua definição de gênero e sexualidade.

12. Praia do Futuro, de Karim Aïnouz

Protagonizado por Wagner Moura, o filme foi atacado por conservadores em sua estreia no circuito comercial em 2014. O personagem do astro brasileiro, Donato, é salva-vidas na Praia do Futuro, em Fortaleza, que conhece Konrad em seu primeiro incidente no mar. Donato segue com o parceiro para Berlim e deixa seu irmão mais novo, Ayrton (Jesuíta Barbosa) para trás. Anos depois, o jovem inicia uma busca por Donato para um acerto de contas.

13. Meu Corpo É Político, de Alice Riff

O documentário acompanha o cotidiano de quadro militantes LGBT que vivem na periferia de São Paulo. A partir da intimidade e do contexto social de cada um são levantas questões contemporâneas sobre a população transsexual e suas lutas políticas.

14. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro

Leonardo é um adolescente cego em busca de sua independência. Seu cotidiano, a relação com sua melhor amiga, Giovana, e sua forma de ver o mundo ganham novos contornos com a chegada de Gabriel. Baseado no curta-metragem Eu Não Quero Voltar Sozinho.

15. Meu Amigo Cláudia, de Dácio Pinheiro

Cláudia Wonder (1955-2010), uma das artistas mais importantes da cena “underground” brasileira durante as décadas de 1980 e 1990, está no centro dessa crônica em forma de documentário. Transexual, ficou conhecida por suas performances em São Paulo e também por sua militância em prol do livre exercício da diversidade sexual.

16. São Paulo em Hi-Fi, de Lufe Steffen

A época de ouro da noite gay paulistana entre as décadas de 1960 e 1980 retratada em um documentário que reúne personagens históricas, como Kaká di Polly, Miss Biá, Gretta Starr, Celso Curi, João Silvério Trevisan, James Green, Leão Lobo, Mario Mendes.

17. Vera, de Sérgio Toledo

Baseado na história de Anderson Herzer, nome social de Sandra Mara Herzer, autor de A Queda para o Alto. Passando a adolescência em um orfanato, Vera passa a se impor adotando uma postura masculinizada. Quando deixa a instituição, apaixona-se por uma mulher e entra em conflito interno sobre seu reconhecimento e aceitação. O filme de 1987 rendeu a Ana Beatriz Nogueira o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim.

18. Favela Gay, de Rodrigo Felha

Enquanto Meu Corpo É Político acompanha personagens LGBT na periferia de São Paulo, Favela Gay faz esse retrato nas favelas do Rio de Janeiro. Questões como homofobia, preconceito, aceitação da família, trabalho e o dia a dia com a sociedade são levantadas a convite de personagens diversos, que estão na vizinha, no tráfico ou na igreja evangélica. Momentos marcos do documentário são o Carnaval no Rio de Janeiro, a primeira Parada Gay da Rocinha, o jogo do Gaymado e o clássico baile funk da favela.

19. De Gravata e Unha Vermelha, de Miriam Chnaiderman

Dirigido por uma cineasta e psicanalista, o documentário cria uma vertigem a partir dos jeitos que cada um encontra de se respeitar na construção do próprio corpo, sem binarismo de gênero. Dudu Bertholini, que se define como genderfucker, com seus caftans, nos guia por infinitas possibilidades de existência. Assim, são entrevistados: Rogéria, Ney Matogrosso, Laerte, Bayard, Letícia Lanz, Johnny Luxo, Walério Araújo, Mel (Banda Uó) e muitos outros.

20. Dzi Croquette, de Tatiana Issa e Raphael Alvarez

O grupo Dzi Croquettes marcou o cenário artístico brasileiro nos anos 1970 e constestou a ditadura por meio do deboche e da ironia e defendia a quebra de tabus sociais e sexuais. A trajetória dessas figuras inspiradoras é retratada a partir de depoimentos de artistas e amigos como Gilberto Gil, Nelson Motta, Marília Pêra, Ney Matogrosso, Betty Faria, Jorge Fernando, Cláudia Raia, Miguel Falabella, Pedro Cardoso e Norma Bengell.

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