A história da classe operária, dos trabalhadores rurais aos metalúrgicos, é retratada pelas lentes do cinema em um período de grande agitação política. Para conhecer a situação dos trabalhadores brasileiros nas últimas décadas e compreender o papel da sindicância na reivindicação por melhorias das condições de trabalho, direitos básicos e melhores condições de vida, confira a seleção de filmes:

1. ABC da Greve (1979)

Documentário de longa-metragem dirigido por Leon Hirszman acompanha o movimento de 150 mil metalúrgicos da região do ABC paulista em luta por melhores salários e condições de vida. A decisão pela greve vem em resposta ao governo militar, que ignora as reivindicações da classe. O governo, em contrapartida, mobiliza a polícia em repressão.

2. GREVE! (1979)

O cineasta João Batista de Andrade registra os eventos principais da greve realizada pelos trabalhadores metalúrgicos do ABC em março de 1979. Naqueles dias o sindicato esteve sob intervenção, e Lula e outros dirigentes haviam sido afastados. O documentário, censurado e com inúmeras cópias apreendidas, mostrou ao país as imagens da greve, proibidas na TV, juntamente ao curta Um Dia Nublado (1979), de Renato Tapajós. Recebeu o Prêmio Especial do Júri no Festival de Havana de 1979.

3. Eles Não Usam Black-Tie (1981)

Baseado no peça homônima de Gianfrancesco Guarniei, o filme de Leon Hirszman, protagonizado por Fernanda Montenegro e Bete Mendes, conta a história de Tião, jovem operário, e sua namorada Maria, colega de fábrica. Em meio a dificuldades financeiras, eclode uma greve. Otávio, o pai de Tião, veterano líder sindical, adere à greve e é preso. Seu filho, indiferente ao drama do pai e dos colegas, fura a greve.

4. O Homem que Virou Suco (1981)

“Deraldo, poeta popular recém-chegado do Nordeste a São Paulo, é confundido com o operário que matara o patrão. Perseguido, Deraldo tenta trabalhar na metrópole: construção civil, serviços domésticos, Metrô. Acuado e rebelde, tenta encontrar o verdadeiro assassino. Na busca, defronta-se com o meio operário: as indústrias mecânicas, a greve, a repressão. Ao conformismo de Severino, o operário, Deraldo dedica seu folheto de cordel intitulado ‘O homem que virou suco’.” O filme de João Batista de Andrade foi reconhecido em festivais internacionais, assim como o ator José Dumont, vencedor do prêmio de Melhor Ator no Festival de Brasília de 1980. Imagem de destaque: cena do filme ABC da Greve, de Leon Hirszman

Comentrários

comentários

Pin It on Pinterest