O Brasil é negro e periférico. Se você discorda disso, faça uma breve pesquisa sobre a história do Brasil, navios negreiros, escravidão, segregação racial e surgimento das favelas. E se você ainda estiver com dúvidas sobre isso, há um motivo: a não-aceitação motivada pelo racismo herdado por gerações que quer embranquecer o país.

A realidade que tenta ser ocultada é que, no Brasil, encontra-se a cidade mais negra fora do continente africano e, segundo o IBGE, pessoas que se consideram pretas e pardas representam quase 54% da população. Os dados do IBGE de 2014 ainda revelam que, na parcela dos 1% mais ricos do país, apenas 17,4% são pretos; enquanto na população dos mais pobres do país, os negros representam 76%.

Para combater o racismo, segregação e as desigualdades socioeconômicas, políticas afirmativas foram implantas na última década graças à luta dos movimentos populares. Mais negros começaram a ter acesso às universidades brasileiras, historicamente elitizadas, inclusive aos cursos de cinema. Além disso, editais específicos também incentivaram produções que contam com a representatividade do homem e da mulher negra por trás ou em frente às câmeras.

Confira uma seleção de 10 filmes nacionais contemporâneos que discutem questões étnico-raciais e revelam a verdadeira face do Brasil:

1. MENINO 23: INFÂNCIAS PERDIDAS NO BRASIL
Direção: Belisario Franca

Um caso chocante de escravidão nos anos 1930. O documentário retrata o caso de uma família de empresários que iam do interior de São Paulo para o Rio de Janeiro “higienizar” orfanatos, levando consigo meninos negros para exploração.

2. KBELA
Direção: Yasmin Thayná

O curta-metragem apresenta uma experiência audiovisual sobre o que é ser mulher e tornar-se negra.

3. MUNDO DESERTO DE ALMAS NEGRAS
Direção: Ruy Veridiano

Em uma São Paulo racista como você nunca viu, um jovem advogado comete um deslize fatal e passa a ser perseguido pelo crime organizado, na mesma noite em que a cidade é atacada.

4. O DIA DE JERUSA
Direção: Viviane Ferreira

O filme traz à tona uma reflexão sobre a velhice e a solidão. Uma parábola utilizada pela cineasta baiana Viviane Ferreira para homenagear a transmissão de vivências e saberes, passados de geração para geração.

5. DEUS – O FILME
Direção: Vinícius Silva

O curta-metragem Deus foi o Trabalho de Conclusão de Curso de Débora Mitie, Huli Balász e Vinícius Silva, da UFPEL. O projeto, que esteve em campanha de financiamento coletivo, aborda a força de uma mãe negra da periferia de São Paulo e sua influência divina sobre o filho.

6. A BONECA E O SILÊNCIO
Direção: Carol Rodrigues

O curta-metragem retrata a solidão de Marcela ao tomar a decisão de interromper uma gravidez indesejada.

7. AQUÉM DAS NUVENS
Direção: Renata Martins

Nenê é casado com Geralda há 30 anos. Em uma tarde de domingo, como de costume, ele vai à roda de samba encontrar os amigos. Ao voltar para casa, surpreende-se com uma notícia sobre Geralda. Sem deixar que o ritmo do samba caia, Nenê encontra uma solução para ficar ao lado de sua eterna namorada.

8. BRANCO SAI, PRETO FICA
Direção: Adirley Queirós

Tiros em um baile black na periferia de Brasília ferem dois homens. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva. Disponível na Netflix.

9. PROFISSÃO MC
Direção: Alessandro Buzo e Toni Nogueira

Produzido sem captação de recursos, Profissão MC conta a história de um rapper na periferia que, desempregado e com a namorada grávida, recebe duas propostas: entrar no tráfico de drogas ou seguir apostando no rap. Um filme sobre oportunidades (ou a falta delas) e a inexistente “meritocracia”. A pretensão é que o filme seja exibido em diversas comunidades pelo Brasil.

10. MENINA MULHER DA PELE PRETA – JENNIFER
Direção: Renato Candido Lima

Jennifer, uma garota de 17 anos moradora da Vila Nova Cachoeirinha, manipula suas fotos no Photoshop para ficar “mais bonita” em sua concepção: com a pele clara e cabelos lisos. Num momento de sua vida em que se torna adulta, procura emprego, procura se relacionar com alguém que ela ame, Jennifer vive dilemas relativos a sua identidade numa sociedade que está calcada nos significados de branquitude.

Aproveite para conhecer mais sobre duas grandes mulheres negras do cinema e do teatro brasileiro: Ruth de Souza e Adélia Sampaio.

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