As referências brasileiras consagradas pela crítica e nos festivais de cinema mundo afora indicam que o Brasil está produzindo mais conteúdo de alta qualidade. O surpreendente é que, mesmo em tempos difíceis para o movimento cultural, novos diretores estão conquistando seu espaço no mercado audiovisual e relevando-se como uma nova geração promissora.

A segunda edição do Festival de Cinema de Belo Jardim – Cine Jardim, realizada recentemente no interior de Pernambuco, revelou muito diretores propícios ao sucesso, a exemplo do Davi Mello. Paulista formado em Cinema pela Universidade Anhembi Morumbi, já dirigiu diversos curtas-metragens, entre eles De Saco Cheio (2011), Amores (In)versos (2012), Fragmentum (2012). No festival, levou sua recente produção A Bordo (2015), apresentado também como Trabalho de Conclusão de Curso.

O cinema produzido por Davi Mello dialoga com o íntimo humanista explorando a solidão e introspecção em momentos cautelosos da vida. Em A Bordo é posto em cena a liberdade da mulher e seu poder de escolha. Os mais íntimos sentimentos de uma mulher, assim como reações psicológicas e físicas, vêm à tona quando sua gestação é interrompida. O diretor utiliza como tema central o aborto retido quando Lúcia (Sylvia Prado), grávida de seu primeiro filho, está se preparando para ser mãe solteira e descobre que carrega em seu ventre um bebê morto.

Por tratar de um tema pouco explorado, o filme prende o público do início ao fim, sempre revelando a vida como ela é e ressaltando que o tempo dilui forças. Adequando-se com propriedade de uma fotografia poética, A Bordo coloca o espectador junto com Lúcia em uma montanha russa na qual não se sabe ao certo o que os espera ao fim. Os planos quase que contínuos sufocam e hipnotizam em seus 23 minutos, colocando o espectador como personagem observador desse drama.

O roteiro autoral, também assinado por Davi, não tem o intuito de chocar, mas sim de fazer uma leitura social e de ressaltar as dúvidas e angústias que muitas vezes se transformam em um incontrolável caos. Através da linguagem audiovisual, o diretor convida para uma verdadeira reflexão e imersão em um mundo incomparável, movido pelo drama e o silêncio.

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